O grupo português Ghost está interessado na recuperação da unidade industrial da Fibre Excellence, em Saint-Gaudens, no sul de França, e prevê investir cerca de 200 milhões de euros num projeto que combina a retoma da produção de pasta de papel com a fabricação de produtos de higiene.
A empresa portuguesa não conseguiu, contudo, apresentar uma proposta formal dentro do prazo judicial, colocando em risco os postos de trabalho de cerca de 250 trabalhadores.
A identidade do potencial investidor foi confirmada pela imprensa francesa, nomeadamente pelo jornal regional La Dépêche du Midi. O projeto é liderado pelo grupo Ghost, que integra empresas especializadas na transformação de papel e no fabrico de produtos de higiene. Entre elas encontra-se a Fortissue, dedicada à produção de papel ‘tissue’ a partir de pasta de celulose.
A operação pretende transformar a unidade de Saint-Gaudens num complexo industrial integrado, capaz de produzir pasta de papel e utilizá-la diretamente no fabrico de produtos acabados. O plano prevê a construção de uma nova unidade com cerca de 50 mil metros quadrados, destinada à produção de fraldas, papel higiénico, rolos de cozinha e outros artigos de higiene.
Segundo a região francesa da Occitânia, o investimento previsto ascende a 200 milhões de euros. A retoma da produção de pasta de papel poderá ocorrer no prazo de 12 meses, embora o calendário dependa da concretização do projeto e das condições necessárias ao reinício da atividade.
A iniciativa conta com o apoio das autoridades regionais e do Estado francês. A presidente da região da Occitânia, Carole Delga, reuniu-se a 19 de outubro com os responsáveis do grupo português e com o ministro da Indústria francês, Sébastien Martin, para discutir as condições necessárias à concretização do projeto.
No entanto, o prazo fixado pelo tribunal comercial de Toulouse para a apresentação das propostas de recuperação terminou a 22 de outubro sem que tivesse sido entregue uma oferta formal. A Confederação Geral do Trabalho (CGT), que representa os trabalhadores, revelou que foram enviados três documentos à justiça: um da região, outro do Estado francês e um terceiro do grupo Ghost, reiterando o interesse na unidade industrial.
O grupo português considera precisar de mais tempo para desenvolver e consolidar o projeto industrial e financeiro. Segundo a imprensa francesa, os responsáveis terão indicado que necessitam de pelo menos seis meses adicionais para concluir os trabalhos preparatórios.
A ausência de uma proposta formal torna provável a liquidação judicial da empresa, embora as autoridades francesas mantenham a intenção de prosseguir os trabalhos com vista a uma eventual recuperação industrial. O tribunal comercial de Toulouse tem uma audiência marcada para 3 de novembro.
A unidade de Saint-Gaudens é um dos últimos polos de produção de pasta de papel em França e emprega entre 244 e 270 trabalhadores, consoante as fontes. O eventual encerramento representa um risco para o emprego local, mas também para a continuidade de uma atividade industrial relevante para a região.
O projeto do grupo Ghost pretende ir além da simples retoma da produção existente, apostando na transformação da matéria-prima em produtos acabados de maior valor acrescentado. Esta integração permitiria à unidade industrial alcançar novas etapas da cadeia de produção e diversificar a sua atividade.
O grupo Ghost tem presença no setor dos produtos de higiene através de empresas como a ITT, dedicada à transformação de papel ‘tissue’, e a Nunex Worldwide, especializada em produtos de higiene pessoal, incluindo fraldas para bebés e adultos. A Fortissue completa esta estrutura empresarial com a produção de papel tissue a partir de pasta de celulose. O grupo comercializa marcas como Suavecel e Nunex.
Apesar da falta de uma proposta formal dentro do prazo judicial, o projeto português continua a ser considerado pelas autoridades regionais como uma possibilidade para o futuro da unidade francesa. A concretização do investimento de 200 milhões de euros dependerá agora da evolução do processo judicial e da capacidade de o grupo concluir o plano de recuperação.