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Soltem-se das amarras do “politicamente correcto”

No passado dia 1º de Dezembro, em Guimarães, “berço” de Portugal, o interesse nacional falou mais alto, soltando-se das amarras do “politicamente correcto”.

Na Conferência promovida pela TEM – Tendência Esperança em Movimento do CDS, que contou com a presença de uma centena de pessoas, abordaram-se, sem rodeios, assuntos como a Família, a Liberdade, a Democracia e Portugal na Europa.

Numa corajosa intervenção, o Dr. Abel Matos Santos, psicólogo clínico, fundador e porta-voz da TEM/CDS, focou os enormes perigos da “Ideologia de Género”, que está a ser introduzida furtivamente nas escolas, no cumprimento da agenda ideológica marxista, levando o Povo Português a afastar-se dos valores judaico-cristãos que, estando enraizados na sua cultura, se vão dissolvendo e perdendo, abrindo espaço para outras realidades alarmantes.

Alertou para a perda de liberdade dos pais, da sua autoridade e responsabilidade sobre os filhos que, apesar de menores, passam a poder tomar decisões para as quais não têm maturidade. Crianças que, desde cedo, começam a ser expostas a conteúdos sexuais para os quais não estão naturalmente preparadas e a ser estimuladas a duvidarem da sua natureza e da sua identidade. Com as mais recentes normativas curriculares do Ministério da Educação, os pais vêem os seus filhos confrontados com esses conteúdos desestruturantes, nada podendo (aparentemente) fazer para o impedir. Perdem a possibilidade de educá-los de acordo com os seus valores, subjugados a um Estado com tiques de totalitarismo.

O Prof. Doutor Paulo Otero, no seu discurso cativante, demonstrou que os almejados “três dês” que o 25 de Abril prometia: a Descolonização, a Democratização e o Desenvolvimento nunca chegaram.

A Descolonização não se fez. Desde logo, porque deixou povos sem rumo, obrigando os nossos a fugir, espoliados e sem futuro, com consequências nefastas ainda hoje sentidas, com feridas por sarar.

A Democratização permaneceu uma miragem. Na ausência de responsabilidade governativa e com um Estado que se demite de responder pelas próprias acções não há Democracia. Não são aceitáveis catástrofes como a de Borba, com mortes de inocentes devidas a incúria do Estado, assistindo-se à total ausência de pudor no “passa culpas”, como se tudo valesse pela sobrevivência política dos intervenientes.

O Desenvolvimento é assimétrico. Verifica-se que é grande a atenção dada pelo poder político às grandes áreas metropolitanas, dada a maior concentração populacional e do eleitorado, ficando de fora das suas preocupações o interior do país, que se vê assim preterido, com serviços públicos escassos e deficitários e reduzido investimento público e privado.

É este o retrato de um país desigual, que se tem posicionado de forma integralista na perspectiva europeia, visando o federalismo, como tão bem descreveu o Prof. Doutor Manuel Monteiro.

Portugal vê-se a braços com a perda de soberania, subjugado a uma União Europeia que pretende destituir os seus membros da sua identidade e independência, em prol de uma governação centralizada, focada nos interesses económicos e financeiros de alguns.

Portugal não se pretende isolado do mundo, não se pretende individualista. Os Descobrimentos revelaram um Povo com vontade de se abrir ao mundo, de o conhecer e de com ele conviver. Faz por isso sentido uma posição intermédia, de cooperação, mas mantendo voz própria e individualidade cultural. Tal não tem acontecido.

Mas nesta União Europeia não se pode dizer “não”, sendo a ratificação do Tratado de Maastricht, entre outros, disso exemplo. Em 1992, o povo dinamarquês rejeitou em referendo este Tratado que se vê um ano mais tarde aprovado, igualmente em referendo, propositadamente repetido, integrando quatro cláusulas de excepção para a Dinamarca, elaboradas para a sua inequívoca aprovação.

Realidade não muito diferente da conhecida aquando do referendo à despenalização do aborto voluntário, em Portugal. Em 1998, o “não” venceu, sendo que o resultado foi não ser vinculativo, por não incluir mais de 50% do eleitorado. Em 2007, é realizado novo referendo com vitória do “sim”, participação de apenas 46,61% dos eleitores, continuando a ser não vinculativo. O certo é que passou a sê-lo.

Os princípios da Liberdade e da Democracia que deveriam nortear a União Europeia e Portugal vêem-se usurpados por um uso indevido dos poderes governativos, que vão tomando decisões em função do que mais lhes convém, pelo recurso a estratégias enganosas, que tudo visam menos a protecção e bem-estar das nações e dos seus povos.

É por isso, também, que não há vontade ou coragem política para diminuir o número de deputados na Assembleia da República. Recorde-se que Portugal, durante o Estado Novo, com área territorial nacional bem mais extensa, que incluía os territórios ultramarinos, contava na Assembleia Nacional com um número de deputados entre 90 e 150. Actualmente, a Assembleia da República conta com 230 deputados.

Como pode por isso existir Liberdade e Democracia num País que assim se move? Como pode Portugal negar a sua História e rejeitar os antepassados que lutaram a favor da independência, contra o iberismo integralista no 1º de Dezembro de 1640?

Como pode o Povo Português aceitar esta perda de soberania?

São precisas pessoas e movimentos de bem, sem medo, com coragem para se expor e denunciar o que não vai bem, que procurem servir um País fantástico, que pode ser mais e melhor.

A Tendência Esperança em Movimento do CDS ousa procurar essa realidade, fugindo ao politicamente correto, mostrando porque os valores do conservadorismo e da democracia cristã são os únicos que podem trazer Portugal de volta ao que sempre teve de melhor!