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O contorcionismo

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Clique para ampliar Afirma-se que há sinais positivos em termos macroeconómicos conseguidos pelo actual governo com o sacrifício de milhões de portugueses.

Durante três anos vivemos sobretudo com o dinheiro da troika, embora os empréstimos tivessem sido pagos pelo trabalho de todos aqueles que contribuiram para esse facto.

A saída limpa e não cautelar da tutela dos credores é um facto facilmente verificável,reconhecido como louvável pelas nações que compõem a UE.

O que faz a oposição e a imprensa?

A resposta é que tudo está mal e mesmo as pessoas sacrificadas assumem que recebem menos com as consequências daí derivadas quanto ao bem-estar relativo a 2011.

Uma equação é a igualdade entre duas razões. Um dos termos deveria ser uma economia saudável que sustentasse uma política de bem-estar.

A situação apresenta-se como uma inequação. Dum lado temos uma economia em recuperação, mas com um bem-estar material claramente deficitário.

Perante os actuais índices económicos temos a continuidade da inequação. Uma economia de bases fortes com uma população em completo desencanto.

Aproveitando o desequilíbrio dos termos, a oposição recorre ao contorcionismo e para ela a saída limpa não o foi e esconde algo que não foi dado a conhecer aos Portugueses.

A dívida pública aumentou, mas o perímetro desta deve ter em conta os juros elevados pagos aos credores.

Os juros diminuiram, mas não foi trabalho do actual governo, mas sim medidas do BCE, as quais foram extensivas à Grécia e à Irlanda.

Seriam extensas as sucessivas comparações feitas, mas pareceu-me que o contorcionismo da esquerda e da imprensa com os seus costumeiros azedumes é algo apenas verificável neste nosso país sui generis, pouco dado ao reconhecimento das nuances da democracia.

Neste espectáculo circense não há dúvida que os protagonistas mais aplaudidos são os contorcionistas. Com exercícios corporais de dificil execução têm tempo ainda para fazer promessas, nomeadamente arranjar emprego para toda a gente e diminuir os impostos, a fim de que todos tenham meios para comprar os bilhetes de acesso ao circo .

A imprensa ajuda, essa imprensa constituída pela Tribo dos Malfeitores, jornalistas e proprietários de meios de comunicação, como bem definiu um autor francês, com o trabalho de propagandear o contorcionismo exibido no circo chamado Portugal.

Realmente a cigarra cantadeira encanta mais do que a formiga trabalhadeira. O povo gosta do contorcionismo. O povo adora o espectáculo. Por isso vai premiar os contorcionistas ou os cantadores de ilusões.

Quando atingir a saturação, voltará a querer a mudança dos artistas, na constante ilusão de que o espectáculo seguinte é mais apelativo do que o anterior.

E lá vamos nós cantando e rindo nesta feira de vaidades. O contorcionismo do maior espectáculo do mundo anima a malta.

Isaías Afonso

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