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Emigrantes nos EUA sofreram grande processo de integração cultural afirma Onésimo Almeida

A realidade da comunidade portuguesa nos Estados Unidos está longe dos dias da baleação, tendo sofrido um “grande processo de integração cultural”, segundo Onésimo Teotónio de Almeida, escolhido para presidir às comemorações do 10 de Junho deste ano.

Professor catedrático da Universidade de Brown, no estado de Rhode Island, ensaísta e escritor natural do Pico da Pedra, na ilha de São Miguel, também ele um emigrante, Onésimo Teotónio de Almeida tem vindo a desenvolver grande parte do seu trabalho promovendo as relações entre Portugal e os Estados Unidos.

Os Estados Unidos acolhem este ano, pela primeira vez, em Boston e Providence, uma extensão do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades, após as cerimónias que terão lugar nos Açores, arquipélago responsável por cerca de 70% dos cerca de 1,5 milhões de portugueses e seus descendentes radicados nas terras do ‘Tio Sam’, segundo a UPEC – União Portuguesa do Estado da Califórnia.

De acordo com Onésimo Almeida, “muitos dos emigrantes evoluíram nos seus locais de trabalho, outros lançaram-se por sua conta em pequenas e médias empresas”, enquanto “uns poucos em grandes empresas mesmo”.

“Também é verdade que a grande maioria deles está hoje aposentada e os seus filhos, um significativo número deles, já americanos de nascimento, naturalmente ainda se integraram mais do que os pais, pois receberam instrução nas escolas americanas e não tiveram, como os seus progenitores, de lutar contra esse duro fator que é o desconhecimento da língua inglesa”, referiu à agência Lusa o professor catedrático, salvaguardando ser este “um processo normal, que demora o seu tempo”.

Na leitura do docente universitário, a diferença entre a comunidade atual e a que emigrou no início do século XX é que “aquela foi forçada a assimilar-se e a esquecer as suas raízes culturais” e, atualmente, as diversas comunidades “são estimuladas no sentido de cultivarem a cultura que trouxeram consigo dos seus países de origem”.

Perspetivando o futuro das comunidades portuguesas nos Estados Unidos, o escritor está convicto que, nas de grande concentração, os portugueses “continuarão a marcar presença, pois eles tendem a constituir ponto de encontro para festas de família, eventos religiosos e comunitários em geral, mas também locais onde se concentra o mercado étnico e os restaurantes portugueses”.

Mesmo que, por razões profissionais, muitos filhos se mudem para outras comunidades, “há sempre razões para voltar a esses centros”, segundo Onésimo Almeida.

O intelectual açoriano tem tentando que os que vão para os Estados Unidos “aprofundem as suas raízes açorianas” e os que ficam “percebam que os Açores se estendem também para estes lados, não apenas para Portugal continental”.

“No meu trabalho profissional tenho procurado ir mais além. Por um lado, tenho tentado dialogar com os portugueses no intuito de os fazer aprofundar isso que se vulgarizou chamar de portugalidade. Por outro, procuro que nos Estados Unidos da América reconheçam e apreciem o contributo português para a história mundial”, sublinhou o presidente da comissão organizadora do 10 de junho.

Para o docente da Universidade de Brown, o Presidente da República “poderia ter escolhido a comunidade de New Jersey, onde, aliás, todos os anos se celebra com aparato o Dia de Portugal”, mas, “todavia, escolheu diferentemente por reconhecer que a mais significativa presença portuguesa nos Estados Unidos da América é a açoriana”.

Onésimo Almeida referiu que a escolha dos Açores e da Nova Inglaterra, onde “primeiro chegaram os açorianos nos tempos duros na faina da caça à baleia”, ou seja, os primeiros emigrantes, é óbvia.

Sobre as organizações portuguesas, que se queixam do envelhecimento das suas direções e membros, por ser difícil atrair os jovens, o presidente da comissão organizadora do 10 de Junho reconheceu que “muitas desaparecerão”.

No entanto, acrescentou, existem “sinais de que muitas se transformarão e permanecerão culturalmente portuguesas, se bem que a língua se vá gradualmente substituindo pelo inglês”.

“Basta ver como atualmente muitos filhos, já americanos, continuam a identificar-se como ‘portugueses’. Antigamente os emigrantes sentiam-se pressionados à assimilação. (…) Hoje a atitude geral vai no sentido contrário e as comunidades sentem-se bem vivendo num mundo que mistura os dois universos culturais”, afirmou.

As comemorações do Dia de Portugal com a participação do Presidente da República e do primeiro-ministro vão realizar-se este ano entre Ponta Delgada, Boston e Providence, nos Estados Unidos, de 09 a 11 de junho.