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Depois do namoro, os arrufos. O triste caso de Tancos acabou por trazer uma consequência pedagógica. O presidente da República poderá ter compreendido, finalmente, que este PS em modo “geringonça” não é de fiar.

Enquanto lhe convenha, António Costa procurará o aconchego presidencial. O primeiro-ministro tem noção da popularidade de Marcelo Rebelo de Sousa e por isso nunca perdeu a oportunidade de uma boa fotografia de conjunto, fosse a pretexto do resguardo sob um conveniente guarda-chuva em Paris, ou da colagem de Ferro Rodrigues e Fernando Medina ao chefe de Estado, com os bracinhos cruzados numa imagem forçada e sem jeito em cima de um palco, cantarolando em conjunto “a minha alegre casinha”, apesar de nascida em tempos do Estado Novo, para glorificação de uma certa modéstia que as esquerdas renegaram sempre.

A vontade de conquistar votos consegue milagres impressionantes. Mesmo assim, quando tiver de ser, o PS deixará cair o presidente da República. Perceba-se o significado do recado deselegante enviado desde S. Bento a Belém, quando António Costa sugere, a propósito de Tancos, que o presidente da República contenha a “ansiedade”.

“Ansiedade”, convenhamos, é o mínimo que o furto de armas de um quartel das Forças Armadas – ou, já agora, de mais de 50 pistolas Glock de esquadras da PSP -, sempre em tempos de governações socialista, deveria justificar. Sendo que é ostensivamente evidente que o primeiro-ministro colocou muito mais empenho na defesa de um indefensável ministro da Defesa no cargo, apesar de todas as evidências, do que em poupar o comandante supremo das Forças Armadas às conveniências eleitorais do PS. Resta perceber porquê.

As esquerdas têm um problema com as Forças Armadas e com as forças de segurança. Não é de hoje.

Para além de Tancos, foram os socialistas que por duas vezes no Governo revelaram ao Mundo a identidade de espiões portugueses, com a mesma ligeireza com que o ministro Eduardo Cabrita apouca polícias que tutela, em benefício de delinquentes perigosos que, não fossem esses polícias, continuariam soltos a aterrorizar pessoas indefesas.

Como são os bloquistas que já defenderam o desarmamento dos polícias em serviço nas ruas e agora, depois de recusarem a criação de uma comissão de inquérito a Tancos, percebendo finalmente o escândalo, ensaiam a marcha atrás de recurso, com Catarina Martins a alterar o discurso para dizer que afinal o roubo de armas é grave e tem de ser investigado. Pelo caminho, o BE reclama o fim do Dia da Defesa Nacional. O que diz de quem manda não é grande coisa.