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Agradecer a Trump

O presidente Trump é-o há dias e ofereceu já ao mundo – incluindo à esquerda que contra ele tanto escreve, tanto berra e tanto marcha – uma prenda imensa ao decapitar o Trans-Pacific Partnership. Aquela convenção, produto de negociações iniciadas há sete anos por Obama, poderia ter sido o mais extraordinário golpe alguma vez infligido à liberdade das nações.

Entre outras disposições escandalosas, a agora enterrada Parceria Transpacífico permitiria a grandes empresas extrair dos Estados signatários vultosas indemnizações se acabasse determinado em tribunal que o Estado agira contra o interesse da companhia; isto é, seria fornecido às empresas o direito de contestar judicialmente, e de obter com isso compensação, políticas que ofendessem as suas expectativas de lucro.

O crime que se engendrava contra as democracias do Pacífico inspirou, também, a versão europeia do acordo. Mas Trump chegou à Casa Branca e, por isso, não avançará nenhum dos dois. Estado algum do Pacífico será escravizado pelo Trans-Pacific Partnership; concomitantemente, nenhuma nação da Europa sofrerá com o Acordo de Parceria Transatlântica de Comércio e Investimento, o parente atlântico da prisão com que Obama tentou asfixiar os países das Américas e da Ásia.

Passo a passo, documento a documento, Trump vai tornando o mundo mais limpo. Só podem agradecer-lhe os patriotas de todas as longitudes.