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Quem sou eu?

Houve muitas vezes que me questionei isto. Houve momentos de sou portuguesa, não sou portuguesa. Gosto de dormir com a janela aberta, não gosto de dormir com a janela aberta. Pequeninos detalhes do nosso dia-a-dia que em diferentes países mudam.

E quando a pessoa vai ou quando volta fica assim um pouco baralhada das ideias. Agora, que estou mesmo cá e, estou cá sem querer ir para fora e, consigo perceber que, como dizia há pouco, os valores são realmente aqueles que vieram de casa. Depois de tudo isto estou é certo aberta a muito mais coisas, tenho muito mais ideias, estou diferente. É óbvio que estou diferente, mas os valores principais, aquilo que eu quero e sempre quis, continuam a ser os mesmos.

Neste percurso internacional, há várias fases. Quando se sai, também senti aquela fase de “Portugal é péssimo e o que é bom é lá fora”. Está-se naquela fase de que tudo é maravilhoso lá fora e não em Portugal. Que Portugal é muito atrasado.

Mas, quando se volta também. Não é fácil. Algumas vezes eu não estava na minha melhor fase quando voltei. E, então foi muito complicado ter que aceitar. Quando voltei a primeira vez, por exemplo, da Polónia. Tinham sido muito anos fora. Eu não estava a par, apesar de ter tentado sempre estar a par a nível de notícias e tudo. Mas, não estava, não estava a par. A pessoa não se pode esquecer que está fora e vai evoluindo mas, que aquilo, quem está cá, também vai evoluindo. De outra forma. E o dia-a-dia vai mudando. Talvez é algo que vá sentir toda a vida.

Contudo, quando voltei dos Estados Unidos estava perfeita e adaptei-me muito mais facilmente.

Eu acho que se tivesse ficado sempre em Portugal, o meu percurso teria sido diferente. Se calhar. Não digo as minhas ideias mas algumas. Tinha sido diferente. Era outra pessoa, isso sim.

Mas este percurso enriqueceu-me muito a nível intercultural.

Costumo dizer isso aos meus pais. Estou-lhes muito grata de me terem colocado no colégio alemão. Por muito que me revolte contra a cultura alemã porque é sempre aquela diferença, tive contacto com uma cultura muito diferente da minha, tive amigos que vinham de todo o mundo e que iam parar ao colégio alemão e, isso faz de nós pessoas diferentes. E, se calhar sensível para algumas coisas, não sei. Estou muito grata e acho que foi uma boa base para depois eu voar por mim sozinha.