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Quarentena na Catalunha: um vírus, várias lutas

Mais uns dias de quarentena e depois de algum trabalho a arrumar coisa velhas. Como em todas as casas vamos acumulando e depois no dia que temos que arrumar, está-se uns quantos dias a trabalhar.

Sábado foi dia de descanso e estava um sol radiante. Fez-se o que não se fazia já há algum tempo: comer na varanda. Como é grande fizemos uma carne na brasa e à tarde, como continuou o sol a brilhar, passamos ali o dia.

Recuperei aquilo que tinha meio abandonado e até metemos música para a vizinhança. Amanhã há mais: já que ninguém reclamou deve ser porque gostaram!

Quanto ao tema deste artigo: ”um vírus, várias lutas”, porque lhe chamei assim?

Porque Espanha é diferente. Começou mal desde o princípio. Agora começa a estabilizar mas isto ainda não ensinou a Espanha a termos todos uma só voz.

À partida pôs-se uma parte do assunto em mãos dos militares. Depois não se fez confinamento como se devia e claro foi-se espalhando o vírus, até ao dia que a população quase exigiu ficar em casa.

Ao decretar estado de alarme foi exigido pelos militares patrulharem as ruas. E aqui começou uma das lutas: ver quem pode mais. O exército pegado com a polícia, com visões diferentes da forma de gerir a crise. Cria-se um ambiente de crispação.

Depois foi a vez da oposição lançar-se como ”lobos” ao governo para tirar proveito político da triste situação. O mais flagrante foi quando o presidente do governo ligou ao chefe da oposição para dizer que ia decretar mais 15 dias de estado de alarme e este nem esperou um minuto e anunciou a notícia por sua conta e risco.

Por fim, no meio disto tudo, anda o povo que nem sabe aquilo que pode ou deve fazer. Muitos não sabem se podem ou devem ir trabalhar, porque muitas atividades se não estão fechadas por decreto os empregados são obrigados a ir trabalhar. As opções de cada um comportam riscos: não ir e perder o trabalho ou ir e ter o azar de ficar contagiado e levar o mal para casa.

Assim funciona Espanha: mal mas vamos esperar que se chegue a bom porto e deixe de haver tantas lutas.

 

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