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Quanto custa o Respeito nas Empresas?

Quanto custa o Respeito nas Empresas? O velho adágio popular, Respeito é bom, e Eu Gosto, mantém-se atual.

Sente-se respeitado no seu local de trabalho? Parece uma pergunta simples, mas a resposta pode ser um raio-X do nível de sua produtividade no local em que trabalha.

Um estudo, conduzido por pesquisadores da Michigan State University, constatou que a incivilidade, no local de trabalho, custa anualmente às empresas USD 14.000, por funcionário, devido à perda de produtividade e tempo de trabalho. Talvez ficou surpreso o quanto pode custar caro às empresas, a forma rude e indelicada de tratamento para com o outro. Mas afinal, o que é respeito?

Palavras que possuem carga emocional, podem ter sempre um cunho subjetivo de como eu as interpreto, como é o caso da palavra respeito, ou como o leitor define o significado dessa palavra. Isso porque tendemos a ter como referência a nossa própria história, nível de autoestima, cultura, que nos irá levar ao que admito como “normal” e como “atravessando os limites”. Um exemplo simples, para ilustrar o que refiro, é o respeito entre um casal. Há casais que podem debater, desentenderem-se, mas têm o compromisso de não levantar a voz um para o outro. Por sua vez, outros casais admitem tratarem-se aos berros, e nos seus debates chamarem-se de besta, bruto, anémona, burra, um ao outro. Diferentes tipos de negócio e de cultura também são determinantes. Na cozinha de um restaurante com “casa cheia”, gritar e xingar são considerados como normal, mas mesmo tipo de prática seria inadequado na maioria dos escritórios de serviços.

Sob ponto de vista da condição psicológica e emocional do ser humano, respeito é tratar o outro com civilidade, o que implica, ser cortês na hora de pedir e responder a uma tarefa, ter sua opinião expressa com assertividade, e conhecer os seus limites e o que admite na interacção com o outro, de forma, a que se tenha um ambiente de bom convívio, ao longo de largas horas com colegas/chefes ou subordinados que não pediu e nem escolheu para viver na sua vida (como seu companheiro/a de vida). Ao contrário, o estudo referido, apontou que rebaixamento, sarcasmo, rudeza e ambientes percebidos como “políticos”, no qual os colegas de trabalho “fazem o que é melhor para eles, não o que é melhor para a organização”, foram entendidos como desrespeito.

Esse estudo apenas vem mostrar o que todos nós experienciamos, quando nos sentimos desrespeitados. Embora cada pessoa possa lidar de formas diferentes perante o desrespeito, eu já ouvi de muitos clientes os seguintes “sintomas”, como remoer o assunto, ter dificuldade em dormir, sentir-se ansioso/a, stressado/a, frustrado/a, baixa motivação para fazer as tarefas, sentimento de ser dispensável, falta de dignidade, frustração, a criatividade bloqueia, fadiga mental, entre outros. E, sob stress emocional, as pessoas tendem a ter maior dificuldade em gerir seus comportamentos, impulsos e emoções, o que leva a outro aspecto apontado pelo estudo, a uma espiral de incivilidade. Como o vírus da constipação, o comportamento desrespeitoso contamina de pessoa para pessoa, criando uma espiral decrescente na interacção, aumentando a agressividade e um ambiente de trabalho pouco saudável, que afeta também o ambiente familiar do trabalhador e a comunidade. A continuidade dessa espiral, por sua vez, gera problemas de saúde mental para quem trabalha na empresa, como depressão, ataques de pânico, Burn-out, custo de saúde, custo adicional à empresa com baixa prolongada ou mesmo despedimento e nova contratação, saída dos bons e competentes trabalhadores que não querem manter-se na empresa, que podemos ainda adicionar ao custo anual referido no início deste artigo.

Curiosamente, respeito é uma palavra com raíz no latim, Respectus, particípio passado de Respicere, que significa “olhar de novo/ outra vez”. É interessante esse sentido, já que nas organizações, olhamos sem ver de novo. Se ao olhar o outro, guiássemos a nossa atenção para observar o que tínhamos olhado, como se fosse a primeira vez que víssemos essa pessoa, uma segunda oportunidade dada a nossa percepção, para ter tempo de questionarmo-nos – Se alguém me tratasse e olhasse para mim, da mesma forma que estou fazer com esta pessoa, eu gostaria e me sentiria respeitado/a?

Para o colaborador da empresa poder fazer essa auto-análise, precisa de um recurso importantíssimo e escasso numa rotina de pressão, Tempo. Abrandar, em certos momentos, é avançar mais rápido em produtividade eficaz. A segunda ferramenta é a mais antiga e básica para a humanidade, e continua a precisar de trabalho e entendimento, a comunicação. Saber comunicar, entender os filtros de comunicação, como trabalhar a qualidade da comunicação na empresa é crucial. Por isso, sem excepção, em todos os meus cursos e sessões individuais, meus clientes entenderam que muito têm a desenvolver, perante a profundidade do tema (inclusive estarei a 15 de Setembro, em Frankfurt, com a Palestra Poder da Comunicação. E por fim, a empresa (seja departamento de RH, sejam os donos de uma pequena empresa) tem de ter claro e listados os comportamentos de incivilidade, sem fazer “vista grossa” para atitudes não justificáveis.

E para si, como as pessoas têm de lidar consigo para sentir-se respeitado?

Karina M. Kimmig

Karina M. Kimmig é autora do livro “Metodologia Humanística: Os Sete Poderes que Todos Nós Possuímos”, General manager MORE Institute GmbH, Presidente de associações internacionais, cocriadora da MORE Humanistic Methodology, autora, blogger, e referência internacional em desenvolvimento humano. Mais: https://more-institute.com/