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Passeio lisboeta vai chamar-se Carlos do Carmo

A Câmara de Lisboa aprovou por unanimidade a atribuição do nome “Carlos do Carmo” ao passeio entre o Terreiro das Missas e o Jardim das Docas da Ponte, numa homenagem a uma das “referências maiores do universo do fado”.

Numa nota, o município revela que a proposta de atribuir o topónimo “Carlos do Carlos” ao passeio localizado entre o Terreiro das Missas e o Jardim das Docas da Ponte, na zona ribeirinha da cidade, foi aprovada por unanimidade na segunda-feira, em reunião de Câmara.

Citado no comunicado, o vereador com o pelouro da Cultura, Diogo Moura, recorda Carlos do Carmo, que morreu em Lisboa em 01 de janeiro de 2021, como “umas das referências maiores do universo do fado, enquanto intérprete, estudioso e divulgador”, mas também “enquanto ponte entre tradição e inovação, na ligação às novas gerações do fado, na valorização desta expressão cultural”.

“Um homem na cidade ganhou uma dimensão e um significado muito especiais, homenageando-o agora através da toponímia, perpetuando o seu nome na cidade, junto ao Tejo”, acrescenta o autarca.

Pouco dias depois da morte de Carlos do Carmo, a Assembleia Municipal de Lisboa recomendou a atribuição do seu nome a um local da cidade.

Na altura, o então presidente da Câmara de Lisboa, o socialista Fernando Medina, anunciou que o fado de Carlos do Carmo “Lisboa Menina e Moça” ia passar a ser a canção oficial da cidade, salientando que a decisão tinha sido tomada “com o acordo unânime” dos vereadores do município e que perpetuava a importância do fadista para a capital.

“É a melhor homenagem que a cidade pode prestar a Carlos do Carmo, durante anos o grande embaixador do fado”, escreveu na altura Fernando Medina na sua página na rede social Facebook, prometendo que a autarquia, em articulação com a família do fadista, iria ainda encontrar uma “forma complementar de o homenagear”, atribuindo o seu nome a uma rua ou a um equipamento da cidade.

Nascido em Lisboa, em 21 de dezembro de 1939, Carlos do Carmo era filho da fadista Lucília do Carmo (1919-1998) e do livreiro Alfredo Almeida, proprietários da casa de fados O Faia, onde começou a cantar, até iniciar a carreira artística, em 1964.

Distinguido com o Grammy Latino de Carreira, em 2014, entre outros galardões, o seu percurso passou pelos principais palcos mundiais, do Olympia, em Paris, à Ópera de Frankfurt, na Alemanha, do ‘Canecão’, no Rio de Janeiro, ao Royal Albert Hall, em Londres.

“Foi ainda um dos fundadores da Associação Portuguesa dos Amigos do Fado, o principal impulsionador da criação do Museu do Fado em Lisboa, e embaixador da candidatura do Fado a Património Imaterial da Humanidade”, recordava o voto de pesar aprovado em janeiro de 2021 pela Assembleia Municipal de Lisboa.

Apesar de nunca se ter filiado em nenhum partido, Carlos do Carmo era apoiante do PCP.

O cantor despediu-se dos palcos em 09 de novembro de 2019, com um concerto no Coliseu dos Recreios, em Lisboa.

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