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OGBL preocupada com recuo do poder de compra dos trabalhadores

© Pexels/GustavoFring

Os últimos dois anos foram difíceis para muitos de nós, não só devido à pandemia e a todas as questões de saúde ligadas à crise sanitária da Covid 19, mas também em termos de vida em sociedade, além da instabilidade no emprego, com muitos a enfrentarem despedimentos devido a falências ou paragem total do serviço, desemprego parcial com salários parciais também, entre outros imponderáveis que ditaram os últimos dois anos das nossas vidas.  

Foram tempos duros a nível psicológico, mas também financeiramente, e o que alguns já chamam de período pós-pandemia não se adivinha melhor, com a recente decisão do Governo de outorgar a indexação dos salários apenas uma vez por ano até 1 de abril de 2024, no preciso momento em que a inflação está a ficar galopante, os preços da energia e de todos os bens sobem em flecha, ou seja, no preciso momento em que os trabalhadores mais precisariam de ver o seu poder de compra revalorizado ou, pelo menos, mantido. 

Os preços da energia já tinham aumentado muito em 2021 – a gasolina mais de 20%, o gasóleo mais de 25%, o diesel de aquecimento (mazout) quase 40%, o gás igualmente cerca de 50% – e a guerra na Ucrânia e as sanções à Rússia desde fevereiro só vieram exacerbar ainda mais esta crise e fazer disparar os preços da energia e dos bens de consumo. Uma situação que pesa de forma desproporcionada nos orçamentos familiares, o que significa que as famílias têm menos dinheiro para gastar. 

Para a OGBL, este não é apenas um problema social, pois pode rapidamente tornar-se um problema económico se o consumo das famílias recuar ao ponto de o poder de compra ficar em queda livre, o que é um sinal muito negativo num período chamado de pós-pandemia, sobretudo quando se sabe que já em 2020, no início da crise pandémica, cerca de 25% das famílias tinham dificuldades em fazer chegar o dinheiro até ao fim do mês. Ou seja, a situação era má a está a tornar-se pior. Situação para a qual a OGBL não tem parado de alertar.   

Isto acontece num contexto em que os custos dos preços da energia no setor da indústria são tão elevados que podem levar à paralisação ou à paragem temporária da produção por parte de algumas empresas, o que pode acarretar mais desemprego ou desemprego parcial. 

E, para completar o ramalhete, a crise da habitação atinge níveis nunca antes vistos, os preços das rendas e/ou dos créditos imobiliários absorvem mensalmente mais de 40 a 50% dos rendimentos disponíveis de uma família, o que torna a vida cada vez mais difícil para os trabalhadores e sobretudo para os que têm os salários mais baixos. 

No contexto atual, a OGBL exige que o acesso à energia seja considerado essencial e isto para todas as pessoas de forma indiscriminada! 

A OGBL considera também que, numa altura em que as empresas vão ser ajudas de forma indiscriminada pelo Governo – ou seja, serão apoiadas todas empresas, quer estejam em dificuldades ou não! –, esse tipo de ajuda seja igualmente dirigido às pessoas. A OGBL sempre se pronunciou a favor de serem outorgados apoios financeiros às empresas em dificuldades, pois isso significa também que durante tempos difíceis se possam salvaguardar empregos. 

A OGBL recorda ao Governo que as empresas não são as únicas a ser impactadas com o aumento dos preços da energia e dos bens, mas que os agregados familiares, trabalhadores e suas famílias, também sofrem. E também estas devem ser apoiadas. Todas as famílias, não apenas algumas. 

O Governo diz querer ajudar apenas as famílias que realmente precisam. Mas não é o que diz no caso das empresas, pois vai ajudar todas as empresas. O argumento do Governo é a árvore que esconde a floresta. Com a decisão de manipular o index, vão ser ajudadas apenas algumas famílias, as que ganham os salários mais baixos. Mas este preciso ponto – quem vai ser ajudado afinal? – depende muito daquilo que o Governo considera um salário baixo. São apenas pouco mais de 70 mil as pessoas que no Luxemburgo ganham o salário mínimo. Isto significa que o Governo vai ajudar apenas cerca de 70 mil pessoas em 400 mil trabalhadores ativos? E vai ajudar como? Com migalhas que são suposto compensar o aumento dos preços da energia, o aumento dos preços dos bens de consumo, mas que na realidade não chegam para compensar esses aumentos, ficando aquém da inflação galopante. Apenas a ativação do index, que é a indexação dos salários e das reformas à inflação, conseguiria acompanhar a evolução da inflação e manter o poder de compra das famílias.   

Mas se todas as famílias recebessem o index devido por lei (frisamos este ponto mais uma vez – por lei!) isso significaria mais justiça social! Porquê? Porque significaria mais dinheiro para todos, ou seja, mais dinheiro para as famílias, mas também mais dinheiro em impostos para os salários mais altos que o Governo recuperaria. Deste modo a justiça fiscal desempenharia o seu papel na justiça social. 

Poder de compra dos trabalhadores recua, milionários duplicam fortunas

Enquanto o poder de compra das famílias e sobretudo das pessoas mais pobres periclita a olhos vistos, não só em todo o mundo, mas também no Luxemburgo, segundo um relatório publicado este ano pela ONG Oxfam, as 10 pessoas mais ricas do mundo viram a sua fortuna duplicar durante a crise da Covid-19, de 700 mil milhões de dólares para 1,5 triliões de dólares. 

Atualmente essas 10 pessoas detêm mais do que 3,1 mil milhões de pessoas das mais pobres do mundo, ou seja mais do que 40% dos habitantes do mundo. Vivem atualmente no planeta cerca de 7,9 mil milhões de pessoas, segundo dados da ONU de maio de 2022. 

Ou seja, se cada uma dessas 10 pessoas gastasse um milhão de dólares por dia, precisaria de 414 anos para gastar toda a sua fortuna. 

Se esses 10 multimilionários pagassem um imposto único de 99% sobre a riqueza acumulada durante a pandemia, com esse montante poder-se-ia:

– pagar vacinas suficientes para imunizar todos os habitantes do planeta

– colmatar as lacunas financeiras da política climática a nível global

– financiar uma Segurança Social (proteção universal social e de saúde) para todos os habitantes do mundo

– financiar políticas contra as violências feitas às mulheres em cerca de 80 países 

– e ainda sobrariam 8 mil milhões de dólares! 

>> A OGBL informa e explica. A OGBL é a n°1 na defesa dos direitos e dos interesses dos trabalhadores e dos reformados portugueses e lusófonos. Para qualquer questão, contacte o nosso Serviço Informação, Aconselhamento e Assistência (SICA), através do tel. 26 54 37 77 (8h-12h / 13h-17h, de segunda a sexta-feira). Para mais informações: www.ogbl.lu / Para se tornar membro: hello.ogbl.lu

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