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França pode excluir a língua portuguesa como prova de acesso às universidades

O chefe da diplomacia portuguesa confessou-se “surpreendido” com a intenção do Governo francês de excluir o português como prova de acesso ao ensino superior e já pediu para convocar a comissão técnica entre os dois países para avaliar esta decisão.

“Fomos surpreendidos com essa intenção contida num projeto de reforma em França, até porque do nosso ponto de vista ela não é compaginável com o acordo que celebrámos com o Estado francês em 2017, nos termos do qual o português passou a ser considerado não como uma língua de comunidade, mas como uma língua viva […]. O senhor embaixador já exprimiu essa surpresa e na medida que o acordo prevê uma comissão técnica, nós já pedimos a convocação dessa comissão e estamos certos que nos haveremos de entender”, disse Augusto Santos Silva, em declarações aos jornalistas no consulado-geral de Portugal em Paris.

Uma recente reforma no sistema de educação em França introduzida pelo atual Governo fez com que o português deixasse de contar para os exames nacionais, passando apenas a contar para a avaliação contínua, tendo menor preponderância na nota final dos alunos. Esta decisão foi contestada pelos professores de português em França, que acusam o Governo de “discriminação”.

Augusto Santos Silva, que está numa curta visita à capital francesa, disse ter ficado ainda mais surpreendido por esta decisão ter acontecido depois de França ter pedido adesão à Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) como observador associado.

No consulado-geral de Portugal em França para assinalar as comemorações do Dia da Língua Portuguesa, o ministro assistiu a uma peça do grupo português de teatro amador “Cá e Lá” inspirada em vários textos de Eça de Queiroz, cônsul na capital francesa entre 1888 e 1900. Foi também inaugurada uma exposição permanente sobre o escritor português no consulado, que já possui uma sala com o seu nome.

“Todos temos muito orgulho de Eça de Queiroz figurar entre os grandes diplomatas portugueses, quer com a sua atividade como cônsul em Havana e, depois, cônsul em Paris. Também Eça de Queiroz inscreve-se na tradição dos diplomatas escritores porque o cosmopolitismo, essa capacidade de atravessar várias culturas, estar presente em vários países, que caracteriza os diplomatas e essa sua obrigação de saber analisar com distância e empatia as realidade que vão contactando ao longo da carreira, com a vinculação a Portugal, constitui um cadinho onde se tem fermentado várias inspirações literárias”, referiu o ministro.

Augusto Santos Silva vai encontrar-se esta quarta-feira com cerca de quarenta empresários franceses que já estão a investir em Portugal ou que querem investir no país, promovendo assim o investimento estrangeiro em Portugal.