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“Amores secretos” de Kate Morton

Ficha técnica

Título – Amores secretos

Autora – Kate Morton

Editora – Suma de Letras

Páginas – 564

Opinião

Quinto livro que leio de Kate Morton e quinto livro a que dou a classificação máxima. Terminei-o no último dia de agosto, enquanto fazia uma curtinha viagem de carro (o maridinho conduzia enquanto eu devorava as derradeiras páginas da obra), junto à costa. Terminei-o lavada em lágrimas (não há maneira de a fonte secar…) e, mal o fechei, acariciei a capa, coloquei-o encostadinho ao meu peito e senti aquilo que sempre sinto quando me despeço de uma leitura que me absorve por completo – uma sensação de perda e de vazio que ainda se mantém comigo e que obviamente “manchará” as leituras que se lhe seguirem…

Adoro tudo o que Kate Morton escreve e dói-me saber que, neste momento, não tenho na estante nenhuma obra sua por ler. Sinto-me órfã das tramas que ela tão habilmente urde, da personalidade cativante e vincada das suas protagonistas – mulheres determinadas, que lutam pelo seu mundo, pela sua família, pelos seus ideais – e do cheirinho de mistério e suspense que perpassa por todas as suas narrativas. Tomei conhecimento através de ti, Paula, que o lançamento da sua sexta obra será ainda este mês e rezo a todos os deuses do mundo das editoras e publicações que não demore muito a chegar a Portugal a correspondente tradução de The Clockmaker’s Daughter, porque temo que não aguentarei muito tempo sem ler Kate Morton!…

Bom, virando agora a atenção para Amores Secretos, o que me apraz dizer em primeiro lugar é que a receita continuou a ser a mesma e que resultou na perfeição tal como havia resultado nos outros quatro livros que li da autora – apresenta-nos uma narrativa que intercala o presente com o passado, protagonistas femininas de pelo na venta, espaços rurais e urbanos de Inglaterra e um segredo familiar que está por descobrir e desvendar. Num dia de verão do início da década de 60 comemora-se o aniversário de um dos filhos da família Nicolson com um piquenique junto ao riacho que corre perto da casa onde vivem. Laurel, a primogénita, preguiça na casa da árvore quando se apercebe de que a sua mãe deu uma saltada a casa para ir buscar a faca que sempre utiliza para cortar o bolo de aniversário. Traz ao colo Gerry, o caçulinha da família, e não se apercebe da chegada de um desconhecido a não ser quando este se detém à sua frente e lhe dirige a palavra. Do alto da árvore, Laurel entra em choque ao assistir à reação da mãe – levanta a faca que trazia na mão, espeta-a no torso do desconhecido e mata-o.

Este é o ponto de partida, repleto de mistério e frenesim, para uma história que saltita entre 2011 e 1941, entre ambientes rurais e uma Londres destroçada pelos contínuos bombardeamentos alemães e entre três mulheres inesquecíveis – Laurel e sobretudo Dorothy e Vivien. Vamos conhecendo cada uma delas, o que as liga e vamos salivando e sofrendo em busca de respostas para aquele final trágico de uma tarde que assombrou as vidas de Laurel e da sua mãe, Dorothy. O final é ribombante, dorido, agridoce, perfeito (pelo menos para mim) e deixou-me como me deixaram todos os finais das outras obras – satisfeita, saciada, mas aparvalhada, perdida, desamparada e órfã.

Não sei mais que vos diga… Foi uma leitura sublime, como já adivinhava que iria ser, mesmo que algures tenha tido vontade de torcer o pescocito de uma determinada personagem… Mas até isso demonstra a habilidade desta autora que me conquistou de forma irremediável!

Sei que já pedi isto muitas vezes, pelo menos em todas as opiniões que escrevi sobre as obras de Kate Morton, mas não me irei cansar de o pedir até que consiga o que pretendo – que aqueles que se mordem por uma BOA história leiam esta fantástica autora australiana e se deliciem com ela tanto como eu! Façam-no, por favor!

NOTA – 10/10 (obviously)

Esta foi a décima segunda leitura que fiz para a maratona literária Bookbingo – Leituras ao sol 2 – e foi para a categoria Livro que compraste pela capa.

Sinopse

Laurel, actriz de sucesso, regressa à casa da família para celebrar o nonagésimo aniversário da mãe, Dorothy, que sofre de Alzheimer.

Esse dia recorda-lhe um outro, há muito esquecido. Naquele fatídico aniversário do seu irmão, Laurel estava escondida na casa da árvore, a fantasiar com um amor adolescente e um futuro grandioso em Londres, quando assistiu a um crime terrível, que mudaria a sua vida para sempre. Foi com terror que Laurel viu a mãe cravar a faca do bolo de aniversário no peito de um desconhecido.

O regresso ao local onde tudo aconteceu é a última oportunidade para Laurel descobrir o temível segredo daquele dia e encontrar as respostas que só o passado da sua mãe lhe pode dar. Pista após pista, Laurel irá desvendar a história secreta de três desconhecidos que a Segunda Guerra Mundial uniu em Londres — Dorothy, Vivien e Jimmy — e cujos destinos ficaram para sempre ligados.

Uma fascinante história de segredos e mistérios, de um crime obscuro e de um amor eterno. Mais um livro inesquecível de uma das autoras de maior sucesso dos nossos tempos.

in O sabor dos meus livros