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“Saudade” junta artistas portugueses e chineses em Xangai

 “Saudade”, uma exposição conjunta entre artistas portugueses e chineses, abriu esta segunda-feira no Centro de Artes Fosun, edifício desenhado pelo arquiteto britânico Thomas Heatherwick, na emblemática marginal neoclássica de Xangai, a capital “financeira” da China.

Com quase 4.000 metros quadrados, o edifício de quatro andares fica junto à antiga concessão francesa de Xangai, fundada em 1849, e destaca-se pela fachada: uma cortina de bambus dourada, que gira a cada duas horas, e remete para o instrumento harpa.

O terraço oferece uma vista panorâmica de Lujiazui, em Pudong, a margem oriental de Xangai, que concentra dezenas de arranha-céus – o mais alto, a “Torre Xangai”, tem 632 metros de altura.

Situada na foz do rio Yangtse, Xangai é sede de um município com cerca de 25 milhões de habitantes e a mais próspera cidade da China continental.

“É onde se buscam a riqueza e os sonhos”, descreve Liu Jianhua, um dos seis artistas chineses que integra a exposição, com uma réplica de Xangai em miniatura feita com fichas de casino.

“Adequa-se à forma como as pessoas sentem a cidade”, diz, sobre a sua obra. “A sensação de perigo e tensão, mas também o entusiasmo e os sonhos que o [jogo de azar] proporciona”.

Xangai será também a metrópole do mundo com mais arranha-céus, à frente de Nova Iorque ou Londres. O mais “antigo” dos cerca de 50 edifícios da cidade com mais de 170 metros de altura foi, no entanto, inaugurado há menos de 20 anos.

“Surpreendeu-me”, admite André Sousa, um dos seis artistas portugueses que integram a exposição, com um conjunto de pinturas em cortinas, que remete para os vários pontos geográficos do mundo.

“Não estava à espera que fosse tão rico e tão limpo”, acrescenta. “Cresci com imagens da China como um país cujas ruas estavam cheias de bicicletas: a transformação foi como um vulcão, foi explosiva”.

A curadora da exposição, a japonesa Yuko Hasegawa, explica que a velocidade com que a paisagem urbana de Xangai se transformou, arrasando bairros e edifícios antigos, desperta nos residentes locais “saudades” do passado.

“Em Xangai, onde tudo está em transformação, a cidade de há dez anos é uma memória vaga, mas todas as pessoas sentem necessidade de localizar o seu passado, a sua identidade”, diz.

A exposição, que reúne cem obras de arte contemporânea e deverá inaugurar em Portugal, em novembro, sublinha ainda a importância estratégica de Portugal para o grupo Fosun.

“Se há uma estratégia de interesse económico do grupo, ao mesmo tempo, também queremos fazer de ponte entre as culturas”, explica Jinyuan Wang, presidente da Fundação Fosun, que foi estabelecida em 2012 como “braço humanitário” do grupo.

“Investimos em Portugal há muitos anos e, quando começamos, a economia portuguesa atravessava uma crise. Nós vivemos esse período com Portugal”, lembra.

Fundado em 1992, por jovens licenciados de Xangai, o Fosun é hoje considerado um dos mais lucrativos grupos privados chineses, numa história que remete para o rápido crescimento de Xangai e o ‘milagre’ económico chinês.

Em Portugal, o grupo detém já a seguradora Fidelidade e a Luz Saúde, a maior participação no banco Millennium bcp e cerca de 5% da REN (Redes Energéticas Nacionais).

A China, que até há quatro décadas vivia num universo à parte, mergulhada na pobreza e isolamento, é hoje a segunda maior economia mundial.

Fosun, em chinês, diz-se Fu Xing, expressão que soa como “renovar”.