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A covid-19 e o Luxemburgo

O Luxemburgo registou até agora 4.554 testes positivos num total de 231.065 testes já realizados (ou seja, 29,82% da população total). O que dá 1,97 % de pessoas infectadas (ou 1970 infectados por 100.000 habitantes).

O número de novos infetados durante os últimos 7 dias foi de 236 pessoas (sobre 49.351 testes efetuados = 478 por 100.000 habitantes). O número de pessoas hospitalizadas dia 5 de Julho era de 19.

Podemos concluir que:

1. Vantagens

1.1 Sabemos o que realmente está acontecendo no país. Parabéns às autoridades pela transparência.

1.2 Segunda vantagem: com quase 1/3 da população já testada, podemos confiar na lei de grandes números, para que a foto atual esteja muito próxima da realidade do que realmente está acontecendo no universo do total da população.

2. Desvantagens

2.1 Esta transparência contradiz os cenários académicos estabelecidos pelos especialistas entre abril e maio passados: ao contrário do que os especialistas pensavam, há pouca contaminação cruzada (estimada na altura em 15% da população total) e provavelmente (a verificar) menos pessoas assintomáticas do que era esperado;

2.2 Segunda desvantagem (e de tamanho): os testes maciços da população são contraproducentes. A taxa de pessoas infectadas, incluindo as positivas mas assintomáticas, aumenta o número e prejudica os países que mais testam.

Exemplo: a Noruega (*) estabeleceu um limite de 8 pessoas positivas por dia e por 100.000 habitantes como limite para um país estrangeiro ser considerado “seguro”.

No caso do Luxemburgo, com 236 novos casos positivos num universo de 49.351 testes realizados na semana de 29.06 a 05.07.2020 (ou seja, 0,48% ou 478 casos por 100.000 habitantes), o número de novos casos está 4,2 vezes acima desse limite.

No entanto, à data de 10.07.2020 o Luxemburgo tem apenas 19 pessoas hospitalizadas com Covid-19 e 388 casos ativos numa população de 620.808 habitantes, ou seja, 0,062% ou 62,50 infecções por 100.000 habitantes!

Moral da história: é recomendável interromper os custos dos testes sistemáticos a toda a população (tanto literalmente como figurativamente). Como já temos uma fotografia exaustiva da situação com 1/3 da população já testada, disso resultará automaticamente uma melhoria das nossas estatísticas o que acabará por colocar o Luxemburgo, como é o caso da Grã-Bretanha, Espanha e Itália, na “linha verde” dos países considerados como “seguros” em relação ao contágio por Covid-19.

Antes disso, é preciso decidir se desejamos mesmo estar nesta famosa “linha verde”, correndo o risco de receber todos os infetados do mundo.

Francis Da Silva

(*) o que demonstra que o limite estabelecido pela Noruega (máximo de 8 novos infetados por dia e por 100.000 habitantes), é extremamente alto e provavelmente não será atingido até que esta pandemia esteja na sua linha final.

 

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