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Sapatos portugueses exportam-se cada vez mais

Durante 20 dias, os sapatos portugueses correm mundo, com 10 escalas em feiras internacionais, de Las Vegas, a Londres, Paris, Nova Iorque ou Milão. É a grande corrida para acelerar a marcha das exportações do setor, com veteranos como a Kyaia, o maior grupo português de calçado, ou a jovem Pintta, lado a lado.

Os primeiros números disponíveis sobre 2017 mostram que o sector confirmou as previsões e bateu o oitavo recorde consecutivo na frente internacional, com vendas na ordem dos 1,980 mil milhões, mais 3% do que um ano antes, correspondentes a 84 milhões de pares distribuídos por 152 países.

Este registo combina subidas de 7,7% fora do espaço europeu e 2,3% dentro das fronteiras europeias, premiando o esforço de promoção internacional da fileira que soma, em dois anos, um investimento de 31 milhões de euros em 110 ações no estrangeiro, com o apoio do Programa Compete 2020.

No conjunto do ano, haverá um total de 200 empresas a participar em 60 eventos distribuídos pelo mundo, na Europa e EUA, mas também no Japão, Rússia, Marrocos ou Bangladesh. Mas o principal destaque neste programa continua a ser a presença na Micam, a maior feira internacional de calçado, em Milão, que este ano decorre entre 11 e 14 de fevereiro, com a presença de 90 empresas lusas.

“Portugal voltará a ser a segunda maior delegação estrangeira na feira, apenas atrás de Espanha”, sublinha a direção da APICCAPS que fez as contas e concluiu que as empresas nacionais representadas em Itália respondem por mais de 8 mil postos de trabalho.

O contigente luso em Milão contribui com 500 milhões de euros para as exportações do sector, contando com pesos pesados como a Kyaia: tem cinco fábricas, em Guimarães e Paredes de Coura, um volume de negócios de €65 milhões, mais de 50% dos quais na marca Fly London, 600 trabalhadores. Investe, em média, 1,5 milhões de euros por ano para cumprir a ambição de duplicar vendas até 2014 e garantir um lugar entre os cinco maiores produtores europeus de calçado.

Entre as maiores empresas do sector presentes, pontua, também, a Nobrand, de Sérgio Cunha. Integra um grupo familiar fundado há 67 anos, com 400 pessoas, vendas de €50 milhões e três fábricas de calçado. A Máximo Internacional garante 30% deste valor, com a marca própria Nobrand a responder por metade das vendas em 30 países. A outra fatia é absorvida por clientes internacionais, da Alemanha a Itália, EUA ou Escandinávia.

Mas, ao seu lado, têm projetos da nova geração como a Rutz, fundada há seis anos, com o foco nos sapatos de cortiça e numa linha vegan própria, ou a Pintta, criada há apenas dois anos, em Faro, longe da rota tradicional da indústria portuguesa do calçado, concentrada no eixo S. João da Madeira – Santa Maria da Feira – Felgueiras – Guimarães.

“Sonhei fazer os meus sapatos. Atrevi-me a visitar uma fábrica, em S. João da Madeira. Fui olhado com alguma desconfiança, mas insisti com eles. Fizeram as amostras e tudo arrancou”, conta Luis Contreiras, fundador da Pinttas e criador dos sapatos de homem desta marca algarvia.

Vendeu 150 mil euros no ano passado. Criou 50 modelos para o próximo outono/inverno e e está pronto a avançar para crescer em Portugal e no estrangeiro, como prova esta presença “sem medo” em Milão, até porque já foi a Itália com os seus sapatos calçados e “muitas pessoas perguntavam onde é que os tinha comprado. Queriam sapatos iguais”, afirma.

“A pouca experiência no sector do calçado” é assumida por Luís Contreiras sem complexos. “Tenho 25 anos de experiência na área da moda”, afirma este empresário que já foi modelo e escolhe as coleções para uma loja algarvia de marcas premium.

Em Portugal, os sapatos de homem que desenha combinando cores e materiais diferentes estão à venda em duas lojas no Algarve, ao lado de marcas de luxo internacionais, com um preço médio de 200 euros por par. À exportação, têm chegado através das vendas online, com destaque para o mercado americano, que responde por 90% da faturação.