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Reerguer a Portugalidade é o dever da hora

Dizia Gilbert Keith Chesterton, genial homem de pena, pensamento e acção britânico, diz destruírem-se as grandes civilizações quando “esquecem as coisas mais óbvias”. Assim parece ter sido com Portugal. Nação velha de muitos séculos, Portugal devotou o melhor de outros tantos à edificação do espaço original a que podemos, com justiça, chamar Portugalidade. A inspirá-lo, teve uma sensibilidade única, a sua identidade latina – e, logo, mediterrânica, cosmopolita e tolerante – e o ethos cristão que lhe foi alicerce e ponte para o mundo. As quatro últimas décadas, de cujos méritos ninguém duvidará, foram igualmente de corte com a dinâmica, exuberante e complexa constelação de povos que Portugal legou à humanidade. Por isso criámos a Nova Portugalidade.

Filho da Europa, foi no mar que Portugal encontrou a liberdade. Erguendo um império de escala verdadeiramente global – categoria de Estado que Portugal inaugurou em 1415 para encerrar em 1999 – o país dilatou-se material e espiritualmente, transformando em civilização autónoma o que começara por ser uma pequena monarquia ibérica. Ser português transcendeu depois a fronteira do sangue e da etnia, inovação extraordinária que distingue e superioriza a expansão portuguesa. O resultado foi a nação policromada, diversa mas coesa, que se dilatou pelo globo, bateu os holandeses em Angola e no Brasil, se libertou do jugo Habsburgo e esmagou Napoleão. Regressados à Europa após o desmantelamento do Estado multicontinental que construíra, os portugueses sentiram-se – aliás, justificadamente – exangues, confusos e derrotados. Nada de menos surpreendente, pois ficara na Ásia, em África e no Brasil a alma nacional.

Insistir no alinhamento – que, afirmamo-lo uma e outra vez, é de razão e sentimento, passado e futuro, autenticidade e pragmatismo – extra-europeu de Portugal surgirá, para alguns, como uma provocação. Não o é. A NP existe para defender esse Portugal maior que si próprio, derramado pelo globo, assertivo e confiante que fomos e devemos voltar a ser. Mais que um país europeu, Portugal – juntamente com a civilização que edificámos – permanece teimosamente português. A testemunhá-lo, surge o património com cuja defesa, exaltação e divulgação se compromete a Nova Portugalidade: aquém-mar, tudo o que nos distingue enquanto povo; para lá do oceano, a vasta obra – na arquitectura e na religião, na filosofia e na educação, na crendice popular, nos afectos e no sangue – que continua a fazer da Portugalidade uma comunidade única de pertença e destino.

Renovar a Portugalidade, ela própria um património partilhado, não pode ser uma tarefa exclusivamente portuguesa. Por dirigir-se a um universo de quase trezentos milhões de pessoas, todas elas produto e produtor da nossa identidade comum, o projecto conta com colaboradores de todos os cantos do espaço luso. Há-os já portugueses e brasileiros; no futuro, é nosso firme intento que se alargue ainda mais o grupo de obreiros dessa Portugalidade rejuvenescida. Prioritários são, a esse respeito, os Estados africanos e asiáticos que mais recentemente – há apenas quatro décadas – perderam o vínculo directo a Lisboa. Escutando esses povos fraternais, a NP contribuirá para a necessária redescoberta do nos irmana e, logo, para a superação dos traumas que nos apartaram. Se o lograrmos – e o crescimento da página fortifica as nossas esperanças -, teremos prestado bom serviço ao país e à civilização por ele construída. É esse o dever da hora. Quem nos acompanha?