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Lesados do BES voltam a manifestar-se em Paris

Um grupo de emigrantes lesados do Banco Espírito Santo (BES) marcou uma manifestação para 25 de fevereiro em frente à sede da instituição em Paris, porque “não se vê luz ao fundo do túnel”, disse à Lusa um dos organizadores.

“Resolvemos ir para a rua porque o nosso caso está muito parado, relativamente aos tribunais e às negociações. A malta está farta disto e resolveu ir para a rua novamente. Não se vê a luz ao fundo do túnel”, explicou Carlos Costa, um dos promotores do grupo Emigrantes Lesados Unidos.

Carlos Costa sublinhou que se vai “entrar no terceiro ano” desde a queda do BES e que “o problema está na mesma”, adiantando que o protesto se vai realizar a partir das 10:30 (em Paris) em frente à sede do banco em Paris, na Avenida Georges Mandel.

“Decidimos ir para a rua porque estamos completamente esquecidos. Ninguém fala de nós. As negociações estão paradas, isto está tudo parado”, lamentou o português de 49 anos, adiantando que pretendem repetir o protesto “em frente a instituições portuguesas em Paris” nos últimos sábados de cada mês “até às férias” do verão.

Desta vez, a manifestação não é organizada pela Associação Movimento Emigrantes Lesados Portugueses (AMELP) que “ainda acredita nas negociações”, afirmou à Lusa Helena Batista, vice-presidente desta associação.

“A AMELP ainda acredita nas reuniões e nos contactos com as entidades envolvidas e o Governo e – embora apoie todas as manifestações e iniciativas que sejam ordeiras e legalmente convocadas para que os lesados possam reaver o mais rápido possível as suas poupanças – decidiu não organizar esta manifestação porque o objetivo da AMELP é encontrar uma solução extrajudicial o mais rápido possível”, justificou Helena Batista.

Carlos Costa considerou que “a AMELP está a trabalhar”, mas alguns dos seus associados “resolveram ir para a rua porque o caso está completamente parado” e porque “o primeiro-ministro e o Presidente da República estiveram em Paris e em Champigny [nas comemorações do dia de Portugal no ano passado] e prometeram resolver o problema dos emigrantes e o caso está na mesma”.

O português, que chegou a França com 10 anos, contou à Lusa que na sua família há “três gerações de emigrantes – pais, filhos e netos” – que perderam as suas poupanças.

Maria Lucinda Costa tinha “40 anos de vida em França” no ex-BES e é um dos rostos principais do cartaz de convocação do protesto, publicado nas redes sociais, aparecendo em primeiro plano, diante de dezenas de lesados, na última manifestação dos emigrantes, em agosto do ano passado, em Lisboa.

Em janeiro, a Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) chamou o Novo Banco a participar numa mediação extrajudicial com a AMELP para encontrar um mecanismo que compense os cerca de 2.200 emigrantes que perderam dinheiro com a queda do BES e que não aceitaram a solução comercial proposta pelo Novo Banco em 2015.

A instituição tinha proposto aos emigrantes – com os produtos Poupança Plus, Euro Aforro e Top Renda – uma solução comercial que teve a aceitação de cerca de 6.000 pessoas, mas 2.200 clientes não a aceitaram por considerarem que não era justa e não se adequava ao seu perfil, não tendo o Novo Banco feito qualquer proposta aos clientes dos produtos EG Premium e Euro Aforro10, argumentando que não era possível devido ao tipo de instrumentos financeiros abrangidos por estes produtos.