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João Salaviza leva rap luso-cabo-verdiano a Berlim

O filme do realizador português João Salaviza nasce do encontro entre o realizador e Karlon Krioulo, um rapper luso-cabo-verdiano, que é também a personagem principal e coescritor da curta-metragem.

“Decidimos fazer um filme que fizesse uma espécie de percurso histórico, mas também imaginário, às memórias do Karlon, em particular num período violento, e eventualmente traumático, que é o momento em que toda uma comunidade que vivia na Pedreira dos Húngaros é transferida de um forma abrupta para outro bairro”, disse João Salaviza.

Salaviza explica que Karlon percorre a curta à procura de memórias míticas e imaginárias de Cabo Verde que “talvez não existia, talvez seja uma construção”, explicando que muitos cabo-verdianos de segunda geração em Portugal “têm uma relação com Cabo Verde, que passa muito mais pelo imaginário de um lugar onde muitas vezes eles não chegaram a ir”.

A curta segue Karlon durante uma fuga de uma cidade que não reconhece, para se abrigar numa selva fictícia, acabando por ser resgatado por várias personagens que simbolizam “um olhar divergente entre cada geração sobre Portugal”.

“Primeiro é a mãe, o ponto de vista de quem chegou, de quem lutou e quer largar as memórias dos primeiros tempos em Portugal. O segundo é um amigo da idade dele, outro rapper, que tem uma perspetiva próxima do Karlon. E finalmente uma filha que já nem sequer fala crioulo”, referiu.

O rap é peça central na curta “Altas Cidades de Ossadas” e, mais do que um símbolo, trata-se de um instrumento de resistência da comunidade cabo-verdiana em Portugal.

Salaviza explicou que o filme quer acompanhar o movimento de “rappers já nascidos em Portugal e que cantaram as suas histórias em crioulo”, tornando-se nas primeiras vozes ligadas ao rap a ganhar visibilidade em Portugal e a afirmaram-se através da cultura cabo-verdiana.

Em 2012, João Salaviza recebeu o Urso de Ouro para melhor curta com o filme “Rafa” no festival de Berlim, voltando a estar nomeado para a mesma secção este ano com “Altas Cidades de Ossadas”.