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A portuguesa que apoia Marine Le Pen

A candidata às eleições distritais de 2015 pelo partido Frente Nacional (FN) Hermínia Domingues espera que Marine Le Pen vença as presidenciais francesas para “ajudar quem vive em França”.

“A Frente Nacional interessa-se pelos que vivem em França. Por exemplo, aqui não se ajuda os sem-abrigo mas ajuda-se os que vêm de fora e que nunca deram nada à França”, criticou a assistente de educação que vive na região de Paris.

Hermínia Domingues, que aos 12 anos chegou a França oriunda de Melgaço, argumentou que vive neste país e, por isso, “em primeiro lugar deve estar a França”, recordando que foi “muito bem acolhida no FN” depois de ter explicado “de onde vinha” e argumentando que os portugueses “estão muito bem integrados”.

“Espero que ela ganhe porque se ela não passar deixaremos de estar em casa. Teremos de nos adaptar à lei dos outros. As fronteiras estão abertas, passa-se de um país para outro sem problema e quando houve atentados eles puderam viajar sem problemas”, afirmou a franco-portuguesa de 45 anos.

Para Hermínia Domingues, “a França está muito mal”, com “cada vez mais desemprego”, empresas que se instalam no estrangeiro e um “laxismo total na justiça”.

“As medidas principais do FN são ajudar as pessoas em França, ajudar as pessoas idosas e as pessoas com deficiência, fechar as fronteiras. Há também medidas económicas para evitar a deslocalização das empresas visto que já não temos indústria porque fugiu para o estrangeiro. Depois, é sair da Europa que é uma grande falcatrua”, enumerou.

O marido, David Domingues, tem andado a fazer campanha para as presidenciais, através da distribuição de panfletos nas caixas de correio e considerou que há “100% de hipóteses” que Marine Le Pen se apure para a segunda volta, ainda que esteja mais cético sobre a possibilidade de ela ganhar as presidenciais.

“Há praticamente 100% de hipóteses para que Marine Le Pen vá à segunda volta. Depois, se for como das outras vezes, toda a gente vai-se pôr contra a Frente Nacional… Há 40 anos que as coisas estão mal e as pessoas votam sempre a mesma coisa”, criticou.

Hermínia e David acrescentaram que “as pessoas já não se sentem em segurança” em França e, por isso, gostariam de ver “o regresso dos controlos ao nível das fronteiras” porque “há cada vez mais migrantes, incluindo terroristas”, um termo que, nas suas opiniões, “só o FN é capaz de pronunciar porque os outros partidos têm medo dessa palavra”.

No próximo dia 23, a França realiza a primeira volta das eleições presidenciais com um quase empate técnico entre quatro candidatos: Marine Le Pen (extrema-direita), François Fillon (direita), Emmanuel Macron (centro) e Jean-Luc Melénchon.