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Um terço dos desempregados no Luxemburgo são portugueses

De acordo com os dados mais recentes o Luxemburgo conta com meio milhão de habitantes, sendo que mais de 300 mil são estrangeiros. A comunidade portuguesa é a mais expressiva no país (cerca de 100 mil habitantes), logo depois da luxemburguesa, representando 1/5 da população total.

O grão-ducado é o país com o PIB (Produto Interno Bruto) per capita mais elevado do mundo. Ainda assim, as disparidades a nível social são uma realidade e os portugueses representam 33% dos desempregados, segundo o programa Sexta às 9, da RTP, que esteve no Luxemburgo e realizou uma reportagem que expõe as dificuldades vividas pelos portugueses neste país.

A construção civil e as limpezas continuam a ser as áreas que mais portugueses empregam, mas a oferta de trabalho, em especial a pessoas não qualificadas, tem vindo a diminuir.

O aumento do desemprego, aliado ao elevado custo de vida, tem levado muitos portugueses a procurar ajuda no Ministério da Família luxemburguês, que tenta garantir alojamento temporário aos emigrantes em dificuldades.

No país, um quarto pode rondar os 700€ por mês e o Ministério da Família concede soluções com rendas bastante inferiores. A Segurança Social também providencia um Rendimento Mínimo Garantido (RMG) de 1300€ mensais, e há muitos portugueses a viver dele.

Ao longo da entrevista estas situações são abordadas por parte de cidadãos portugueses residentes no Luxemburgo, e alguns deles admitem que há emigrantes que “já vêm com a escola feita de Portugal” para viver da Segurança Social.

O ordenado mínimo nacional ronda os 1700 euros para trabalhadores não qualificados, e o Sexta às 9 recolheu testemunhos de cidadãos que não prescindem do RMG por uma diferença monetária tão escassa.

A falta de qualificações profissionais e o não domínio das línguas faladas no país (luxemburguês, francês e alemão), também são entraves à procura de emprego. “Há quem se acomode depois da primeira porta fechada”, lamenta André Pires, um português que reside e trabalha no Luxemburgo. André afirma ainda que o elevado sentido de comunidade também acaba por prejudicar a integração no país, uma vez que “as pessoas só vivem nesse meio de portugueses”.

Orlando Pinto, empresário e fundador da empresa de construção civil SOPINOR, refere também que “é difícil dizer a um português recém-chegado que não tenho trabalho para ele”. A sua empresa garante cerca de 250 postos de trabalho no país e conta com 90% de portugueses nos seus quadros. No entanto, o empresário defende-se dizendo que a SOPINOR já só tem possibilidades de contratar mão de obra experiente e qualificada.

Já o Primeiro-Ministro luxemburguês, Xavier Bettel, aconselha ponderação quando se trata de emigrar para o país: “Antes de partirem, as pessoas devem saber se vão ter uma vida melhor ou não”. “Há 15 anos um português encontrava facilmente trabalho, porque é conhecido por ser trabalhador, mas agora a realidade é diferente”, completou Isabel Schlesser, Diretora da Agência de Emprego do Luxemburgo.

Bettel foi ainda confrontado, durante a reportagem, com um possível usufruto “crónico” dos sistemas de Segurança Social e adjacentes benefícios por parte de alguns cidadãos portugueses, e o Primeiro-Ministro mostrou-se assertivo: “Devemos ajudar quem precisa de ajuda, e não quem não procura ajudar-se a si próprio”.