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Ministro da Cultura diz que é o momento do Algarve investir no património histórico

O ministro da Cultura considerou esta segunda-feira que este é o momento para o Algarve investir mais no interior da região e no seu património histórico, que cada vez mais é um “fator de atratividade” para os turistas.

Durante uma visita ao Castelo de Paderne, em Albufeira, cuja Torre Albarrã foi recentemente requalificada, o ministro da Cultura, Luís Filipe Castro Mendes, considerou que o Algarve “tem de se virar mais para o investimento no interior e no património”, já que esse é o fator que o distingue de outras regiões no mundo, e não as praias.

O castelo, fundado pelos almóadas no século XII, é uma pequena fortificação rural de caráter defensivo, cujas muralhas foram construídas exclusivamente através de um processo designado taipa militar, que praticamente já não é utilizado mas que foi replicado na intervenção efetuada na Torre Albarrã.

De acordo com a diretora regional de Cultura do Algarve, Alexandra Gonçalves, o processo de reabilitação da torre de nove metros obedeceu aos mesmos critérios e materiais usados na construção original, tendo sido necessário fazer um estudo para alcançar a solução mais adequada.

“Só com o estudo das taipas que cá estavam, percebendo a composição da terra, a cal a juntar, a granulagem das pedras que foram juntas, é que se consegue perceber se estamos a utilizar o que é mais adequado”, referiu, sublinhando que o objetivo é que a reabilitação resista o máximo de tempo possível.

De acordo com aquela responsável, a reabilitação da torre – situada no exterior da muralha e cujo acesso ao interior era feito através de um passadiço – constitui a primeira fase de um projeto mais extenso de requalificação daquele monumento localizado no barrocal algarvio.

Alexandra Gonçalves estima que no início do próximo ano seja possível avançar com a segunda fase, que consiste na reabilitação da muralha nascente do castelo, uma empreitada com um valor aproximado de 400 mil euros e cuja missão é evitar que a muralha despareça, fruto da erosão a que está sujeita há séculos.

Embora não haja um risco de colapso, a muralha está “bastante erodida”, de acordo com Natércia Magalhães, técnica da Direção Regional de Cultura do Algarve que acompanha o processo, uma vez que se trata de um “desaparecimento lento”, como se o vento fosse arrastando consigo “grão a grão” a composição da muralha.

No interior do castelo está uma capela construída sobre uma antiga mesquita, que começou a ser usada depois de a população que ali habitava ter abandonado o local e rumado para a atual localização da aldeia de Paderne, entre o mar e a serra, praticamente no centro do Algarve.

Natércia Magalhães considera que deveria haver escavações para permitir que fosse posta a descoberto a aldeia qua ali existia, composta por estruturas habitacionais da época islâmica, depois adaptadas pela ocupação cristão, mantendo pátio central descoberto ao qual se acedia desde todas as divisões.

A criação de melhores acessos ao castelo é outro dos projetos futuros, da competência da Câmara Municipal de Albufeira, condições que o presidente da autarquia, José Carlos Rolo, considerou essenciais para que o produto seja mais “vendável”.

O ministro da Cultura, que destacou a “raridade” do monumento, por ser de tradição islâmica, sublinhou que é necessário a conjugação de vários esforços para a valorização deste, como de outros monumentos pelo país fora.

Esse esforço inclui o Estado, através da mobilização dos fundos regionais, as autarquias, através da criação de condições de acessibilidade, animação e valorização do património e dos mecenas “que felizmente aparecem para apoiar” estes projetos.

No caso do restauro da Torre Albarrã, que custou 79 mil euros, o investimento foi repartido entre a Câmara de Albufeira, a Fundação Millenium BCP e a Direção Regional de Cultura do Algarve, através de uma candidatura ao CRESC 2020.