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Gabriel Abrantes aventura-se no terror com “A semente do mal”

© DR

O artista visual Gabriel Abrantes estreia na quinta-feira o filme “A semente do mal” que é uma primeira incursão no terror, um género “mais democrático” e possível de se fazer com poucos meios.

“A semente do mal”, em 2023, fez parte dos festivais de Toronto (Canadá) e MOTELx (Lisboa), chega esta semana aos cinemas portugueses e tem estreia prometida ainda este ano em vários países da Europa, Estados Unidos, América Latina e Ásia.

Com produção da Artificial Humors, é a primeira longa-metragem de ficção assinada apenas por Gabriel Abrantes, depois de ter correalizado “Diamantino” (2018) com o norte-americano Daniel Schmidt.

O filme foi rodado em 2020 em Sintra, é protagonizado por Carloto Cotta, num duplo papel de gémeos que se reencontram em Portugal depois de décadas de uma separação forçada, pondo a descoberto um segredo macabro de família, envolvendo a mãe.

O elenco integra ainda a atriz norte-americana Brigette Lundy-Paine e as portuguesas Anabela Moreira, Alba Baptista, Rita Blanco e Beatriz Maia, entre outros atores, em papéis secundários.

Em entrevista à Lusa, Gabriel Abrantes explica que foi a ligação do terror com o cinema que tem feito há quase duas décadas, a maioria no formato de curta-metragem, que o levou a experimentar este género.

“Eu gosto muito de cinema fantástico, bizarro, surreal, e o cinema de terror tem isso tudo no seu ADN. Um filme de terror tem coisas sobrenaturais, tem coisas fantásticas, tem fantasmas, bruxaria, etc.. Isso atraiu-me ao género. Por outro lado, também é um género mais democrático. Filmes de terror com muito poucos meios conseguem ter um alcance bastante maior”, disse.

“A semente do mal”, cujo título original é “Amelia’s Children”, foi feito inteiramente com produção portuguesa, com apoio financeiro do Instituto do Cinema e do Audiovisual, e junta-se a uma curta cinematografia portuguesa de longas-metragens de terror.

“Em Portugal há pouco investimento nisso, mas muito do cinema que se faz cá é incrível, é um cinema autoral, puro e duro e tem o seu valor. Talvez não haja tanto essa cultura ou pode haver algum desprezo por um género como o cinema de terror. Eu gosto de abraçar essas formas populares mais desprezadas ou ‘esnobadas’”, considerou.

Gabriel Abrantes, que nasceu nos Estado Unidos em 1984, é um artista multidisciplinar que tem trabalhado em cinema e artes visuais. Expõe regularmente desde 2006, em particular instalação e videoarte.

Em 2009, venceu o Prémio EDP Novos Artistas e no ano seguinte foi premiado em Locarno com “A history of mutual respect”, partilhando a realização com Daniel Schmidt. Em 2018, “Diamantino” venceu o Grande Prémio da Semana da Crítica do Festival de Cinema de Cannes.

Numa altura em que “A semente do mal” se estreia em Portugal, Gabriel Abrantes desdobra-se em vários trabalhos, nomeadamente a produção de quatro instalações de videoarte, em animação, com a participação da atriz Brigette Lundy-Paine, para uma exposição coletiva que vai inaugurar o novo Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian.

“São animações de fantasmas a discutirem numa espécie de paisagem pós-apocalíptica, pós-aquecimento global. E estou a trabalhar em vários guiões de ‘longas’, mas está a ser bastante difícil. Gosto bastante de escrever, mas é a fase mais difícil”, disse.

Uma das longas-metragens é de terror e a outra é para crianças, “sobre um robot de Inteligência Artificial que quer ser artista, quer ser pintor só que é ilegal neste mundo do filme; a Inteligência Artificial está impedida de fazer arte”.

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