Diáspora do PS pede criação da Federação da Europa
Mais de 200 militantes do Partido Socialista, representando 16 secções e núcleos em sete países europeus, apresentaram ao XXV Congresso do partido uma moção que reclama a criação da Federação da Europa do PS.
O documento, preparado após dezenas de videoconferências entre ativistas da diáspora, foi subscrito por dirigentes e militantes e pede à direção nacional a aprovação e implementação célere da nova estrutura, destinada a reforçar a organização partidária junto das comunidades portuguesas na Europa.
A moção argumenta que as circunstâncias estruturais, geográficas e sociais das comunidades no estrangeiro exigem soluções organizativas distintas das aplicadas em Portugal. Recorda que o PS nasceu em contexto de emigração e que, historicamente, existiram federações da diáspora (Alemanha, França, Suíça e Benelux) que foram dissolvidas, deixando lacunas organizacionais. Segundo os proponentes, a Federação da Europa deverá recolher temas, coordenar iniciativas e mobilizar militantes em diálogo contínuo com as secções locais e com a estrutura central em Lisboa.
No texto enviado ao congresso, os subscritores defendem que a nova federação ajudará a recuperar a confiança das comunidades no partido, a dar voz aos emigrantes e a facilitar a sua participação política, nomeadamente em processos eleitorais. A moção apela a mecanismos de escuta ativa e a programas participativos que integrem contributos das comunidades no programa político do PS.
O documento invoca também preocupações sobre o crescimento do populismo e da extrema‑direita em várias comunidades portuguesas na Europa, sublinhando que a ausência de respostas concretas por parte das instâncias políticas alimenta descontentamento e desconfiança. Cita ainda o manifesto do novo presidente da República, António José Seguro, para reforçar a ideia de que “Portugal é maior que o seu território” e de que a diáspora constitui um ativo estratégico que deve ser politicamente valorizado.
Durante o congresso, Pedro Rupio — um dos promotores do movimento — e outros oradores defenderam que a federação será uma plataforma para dinamizar secções, estreitar a ligação com a direção nacional e preparar mobilizações eleitorais mais eficazes, lembrando a recente conquista de deputados eleitos pela emigração e a necessidade de não perder representação parlamentar nas próximas legislativas.
A moção propõe ainda a adoção de um regulamento interno e apresenta um manifesto e uma equipa de trabalho já constituída, afirmando disponibilidade para avançar assim que o partido decidir transformar a ideia em realidade. O apelo final é claro: “Ou contamos todos, ou não poderão contar connosco.”