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Acordar contigo

No lusco-fusco da madrugada que finda
em vão procuro retardar os minutos inelutáveis
tento diferir a trajetória da lua inconstante
naquele momento preciso em que Febo
hesita em brotar purpúreo
e a estrela d’alva vadia se esvanece
e já não é noite e ainda não é dia
eu, em silêncio, olhando-te
maravilhado como sempre
como se fosse sempre a primeira vez
como se aquela hora fosse sem demora.

Por fim deixo o céu
carmim rosa azul acordar o dia
luminoso mas frio Chego-me mais a ti
a minha mão a medo desperta a tua apertando-a
levemente Sinto-te a saíres do sono
e a luz do sol desenha lindíssima
a geografia desejada pelos meus dedos de sede
e pelos meus lábios de fortuna Apodero-me
dos teus ombros boreais
que tu preferias morenos
mas de que eu gosto assim mesmo
alvos e meus
e onde aporto todos os meus navios
vens a mim com a maré urgente
ancoras no meu peito, molhas nas minhas coxas
eu mergulho o rosto no teu estuário
e tu os dedos nos meus cabelos.

As nuvens, lá fora, num vagar imenso não amansam
as vontades do teu corpo e do meu
fundeamos com a pressa e a volúpia
dos rios de água clara que apenas morrem no mar

e assim amanhecemos um no outro
luminosos e quentes, carmins e rosas e azuis
como o dia que se espreguiça agora
e nos esquece
e nós a ele.

José Luís Correia

(Para o meu amor, Bia Vasconcelos, com votos de muitos parabéns por mais uma primavera que celebra em flor. Obrigado por fazeres parte da minha vida e me deixares fazer parte da tua. Amo-te!).

JLC28032021

 

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