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Diário de um embrião

Ja existo, mas minha mãe ainda não sabe
Sou uma menina, e em breve te abraçarei 
Já se estão formando os meus dedinhos
Terei cabelos louros e olhos verdes. Mãe logo te verei. 

Vou manter-me abrigada no ventre de minha mãe 
E louvor o Criador por me formar maravilhosamente 
De um modo espantoso, uma obra maravilhosa 
E meus ossos não estão escondidos de ti.

Teus olhos observam aquilo que agora sou um embrião 
Todas as partes do meu corpo estão assentadas num livro
Chamado ADN que diz respeito aos dias que sou formado
E meu embrião aos pouco se transformará num milagre vivo!

Vou ser poetisa, a poesia descreve uma célula como arquitetura 
Pequenina, tão complexa, projecto de arquitetura sábia e divinal
Há quem diga que um embrião no ventre não é uma criatura 
Mas durante a vida não usamos toda a capacidade cerebral.

Um adulto se compõe de uns 100 trilhões de células 
Cada uma de uma impenetrável complexidade 
Cada célula pode ser comparada a uma muralha 
Simples e forte foi criada com muita habilidade.

De um pontinho inicial se reproduz e articula a criação 
Mulher não abortes deixa passar uns 270 dias.
A poesia é do povo e desbloqueia a ignorância 
O poeta do povo é também poeta da percepção.

A poesia é como uma célula e intuição cerebral 
Obra de engenharia, pluridade e hipertexto
Com tato, nunca imparcial, com exclusividade especial
A célula multiplica-se, e na poesia não há pretexto.

José Valgode

Esta publicação é da responsabilidade exclusiva do seu autor.

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