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Síria: curar as feridas da guerra

A irmã Annie Demerjian, que desenvolve o seu trabalho pastoral em Alepo, defendeu a necessidade de investir na reconstrução da sociedade da Síria, com particular ênfase na educação das novas gerações, para superar os traumas da guerra.

“Em todas as casas é possível encontrar uma experiência dolorosa. Isso é algo que está no coração e na mente das pessoas, está com elas a toda a hora. Não é fácil, precisam de tempo para se curar. Há feridas abertas, feridas a sangrar”, disse à Agência ECCLESIA a religiosa da Congregação das Irmãs de Jesus e Maria.

Para a também coordenadora local dos projetos da Fundação Ajuda à Igreja que Sofre (AIS), esta recuperação “vai levar tempo”.

“É muito fácil reconstruir as casas, mas é preciso tempo para recuperar os corações, os corações partidos”, precisou.

A religiosa observa que a pessoas continuam a sua vida diária, apesar de todos os problemas, mas todos “carregam uma pedra pesada, no coração”.

O principal objetivo é ajudar os menores a regressar à escola e assegurar a educação das 3 milhões de crianças, que nasceram durante o período da guerra, com “programas a tempo inteiro”.

“Estas crianças só viram violência, morte, perseguição, todos os tipos de ódio, guerra. O que precisamos de fazer para as ajudar a voltar à sua vida normal? Não é fácil”, acrescentou.

Outra prioridade é “criar empregos”, por causa da destruição da guerra e também porque muitas pessoas foram “forçadas” a vender tudo e partir.

“É importante que se possa ajudar as pessoas a criar empregos, para que elas se consigam sustentar”, realça a irmã Annie Demerjian.

A paz chegou a Alepo em 2016, embora a guerra continue nalgumas partes da Síria; segundo fontes da ONU, atualmente existem mais de 13 milhões de pessoas necessitadas de ajuda na Síria, mais de 6 milhões deslocados internos e 5,6 milhões refugiados em países vizinhos, incluindo a Turquia, Líbano, Jordânia, Iraque e Egito.

Para a irmã Annie Demerjian, é importante que os refugiados sejam bem acolhidos e integrados, algo que “não é fácil”, mas alerta para a necessidade de ajudar quem permaneceu ou quer voltas à Síria.

“Temos de fazer algo para parar a violência, parar a guerra, para que as pessoas não tenham de fugir”, conclui.

 ‘Os Cristãos da Síria precisam da sua ajuda’ é o nome da campanha de natal 2018 da AIS, que tem como objetivo principal o auxílio de emergência às comunidades cristãs mais afetadas pela guerra, “com uma atenção muito focada nas crianças e jovens”, assim como em projetos de construção e reconstrução de “igrejas, casas de cristãos e estruturas que possibilitem a normalização da vida comunitária”.

A fundação pontifícia estima que existam mais de duas centenas de igrejas e edifícios paroquiais danificados ou destruídos; mais de 6 mil lares de cristãos também foram destruídos por causa da guerra, assim como mais de 3 mil escolas.

A Fundação AIS/ACN já deu início a 32 novos projetos, no valor de 1,8 milhões de euros.

340 famílias em Homs estão a ser auxiliadas no custo mensal das suas habitações e cerca de sete centenas de famílias em Alepo beneficiam de assistência médica.

“O apoio às crianças e jovens que foram afastados do ensino e que só conheceram nestes anos a realidade dura da guerra é também uma prioridade. Uma geração sem ensino, sem educação é uma geração perdida”, assinala uma nota enviada à Agência ECCLESIA pelo secretariado português da AIS.

A irmã Annie Demerjian vai participar em diversas conferências – em Lisboa, Évora, Porto – e na jornada de oração “1 Milhão de Crianças Reza o Terço pela Paz”, que vai ter lugar na Capelinha das Aparições, em Fátima, esta quinta-feira, pelas 18h30.