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O grande irmão

© Pixabay

O Estado é um grande proprietário. Acumula prédios rústicos e urbanos pelo país fora. Inúmeros estão ao abandono, degradados, devolutos. Não os recupera, não os arrenda, nem oferece. Mas quer ocupar os dos outros. O Estado foi sequestrado por uma “geringonça” que celebra o 25 de Abril com discursos sobre a liberdade, enquanto força como pode a “transição para a sociedade socialista” – e paternalista -, que sufoca e se julga no direito de impor o que se pode dizer, pensar, fazer. Tudo se decreta. É muito mais PREC do que 25 de Novembro. Encara o trabalho como servidão fiscal, a riqueza como pecado e os proprietários como arrendatários do Estado. Acha normal castigar todos, por tudo aquilo em que não dá – nunca deu – melhor exemplo. E nem sequer se questiona.

A propriedade privada é um direito constitucional fundamental. Encarna a crença dos que acreditam nas vantagens do trabalho e, através dele, esperam ascender por esforço próprio a melhores condições de vida. Não existe para rateio ideológico de quem encontra virtudes melhores na mão estendida ao benefício do Estado, tendo outras alternativas.

Ter casa ou casas é um ato de vontade, de resto, tributado abundantemente. E mantê-las vazias, uma prerrogativa de quem as pagou, ou herdou, tão legítima como a decisão de as arrendar, se for caso disso. Intolerável, por muito que o BE mande nos tempos que correm, é perceber um governo representado por quem perdeu as eleições, transformado numa espécie de “Okupa”, ao serviço da agenda ideológica do “proletariado”.

Numa declaração que não se estranharia em Vasco Gonçalves, o PS anunciou que os proprietários deverão “participar na prossecução do objetivo nacional de garantir a todos, para si e para as suas famílias, o direito a uma habitação condigna”. Conviria que o PS começasse por entender que numa democracia verdadeira o Estado não se apropria das casas dos outros, para as entregar a quem lhe apeteça. Sendo que se realmente o quer fazer, que comece pelas suas. São garantidamente muitas.

António Costa que saia do Palácio de S. Bento e atravesse o país. Conte os edifícios que, apesar das suas obrigações, a tutela mantém vazios e decrépitos. Chame depois Catarina Martins, que com facilidade encontrará quem lhe escreva nas paredes: “aqui podia morar gente”.

Em 1975, ocuparam-se terras alheias debaixo do grito “a terra a quem a trabalha”. Em 2018, tenta-se “as casas a quem as ocupe”. Alguns dos protagonistas são os mesmos. Era o que mais faltava.