
Miguel Torga, Coimbra, 1 de Março de 1969
Tenho um fascínio intrínseco, antigo, reiterado por este texto de Torga.
Mais do que englobar parte interessante da personalidade do Torga, mostra realmente o que ele quer.
O que ele quis – escrever – escreveu. Disse tudo. Nada mais ficou por dizer a menos que fosse cumprir o diário, do dia-a-dia, se mais algum ele vivesse.
O texto diz aquilo que são na generalidade, especialmente os portugueses.
Não podem ver uma pessoa quieta. Se estiver quieta não está a trabalhar.
Acham que não pode estar a beber, deglutir o que o rodeia, a trabalhar mentalmente. Acham que por estar ali, não se pode estar longe, bem longe, mentalmente.
Acham que não se pode estar ali, e estar sem ele mesmo saber onde.
Mário Adão Magalhães 016/03/01 22, 33h
