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Venezuela: Idosos de lar português em risco

A hiperinflação, crise económica e falta de apoios empresariais e do Governo português estão a dificultar o apoio aos 68 idosos do Lar da Terceira Idade Padre Joaquim Ferreira, denunciou a direção.

O alerta foi dado à agência Lusa por Oswaldo Freitas, presidente da direção daquele lar de iniciativa portuguesa, localizado na Urbanização Los Anaucos, e que manifestou preocupação por um eventual agravamento das dificuldades, num futuro próximo, afetando aqueles cidadãos luso-venezuelanos.

“No ano passado, o lar não foi beneficiário dos fundos do Governo português (…) sem essa ajuda será impossível continuar a dar a mesma qualidade no serviço e na alimentação, devido à hiperinflação e aos custos para atender estes 68 velhinhos”, disse.

Oswaldo Freitas precisou que em finais de 2017 pediram apoio a Lisboa, mas que por “uma questão de preenchimento de um formulário” ficaram “fora” da outorga do contrato. Acrescentou que que estão atualmente a fazer um novo pedido para Lisboa, processo que termina em finais de dezembro.

“Não só há falta de apoio do Governo português, também das empresas daqui. Este ano tem sido muito difícil porque as pessoas também não têm os recursos necessários, porque devido à hiperinflação e à crise na Venezuela, em que o comércio e as indústrias, estão em situação de sobrevivência”, disse.

No entanto, admite que ainda há algumas empresas e pessoas “que têm um bom coração” e que apesar das dificuldades “sempre estão ajudando”. Ainda assim, “já não são tantas como antes”.

“De nenhuma maneira pode faltar a alimentação, aqui no lar. Quando a alimentação falte, automaticamente teremos que fechar as portas. É uma questão de sensibilidade humana e temos que lutar até ao final”, frisou.

Oswaldo Freitas explicou ainda que o lar, que foi fundado há 19 anos, já teve 80 idosos, mas que agora acolhe a 68, frisando no entanto que o orçamento inclui 30 pessoas, enfermeiros e médicos, que diariamente prestam cuidados aos utentes da instituição.

“Mas não é só a alimentação e a atenção, há também a questão de reparação dos autocarros, dos elevadores e sobretudo a manutenção do próprio lar”, frisou.

Quanto a medicamentos, o responsável explicou que alguns chegam de Lisboa, mas em pouca quantidade, conseguindo comprar outros, diretamente, nas lojas, enquanto alguns familiares também entregam remédios na instituições.

Por isso, apela também à comunidade portuguesa para ajudar o lar: “Isto não é responsabilidade apenas de um grupo de pessoas, é uma questão que beneficia as pessoas oriundas de Portugal, para dar-lhes qualidade de vida, no resto das suas vidas”.

“O Governo português que tenha em conta que os velhinhos que estão aqui estão bem cuidados. O Governo português não deve olhar só para a Cultura, mas também para as pessoas carenciadas e aqui vivem 68 avozinhos que há que estender-lhes a mão”, apelou.