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Venezuela: agências captavam remessas ilegalmente

As autoridades venezuelanas anunciaram que foram identificadas 2.144 agências de câmbio que captavam ilegalmente remessas do estrangeiro.

Segundo o procurador-geral designado pela Assembleia Constituinte, Tarek William Saab, foram emitidos 70 mandados de detenção, estimando-se que entre 150 milhões e 200 milhões de dólares (entre 131,5 e 175,4 milhões de euros) deixaram de entrar no mercado formal.

“Alguns [operadores cambiais] funcionam em escritórios comerciais e outros são clandestinos. Aí recebiam divisas [moeda estrangeira] e faziam as transferências em bolívares desde contas sediadas na Venezuela, com uma cotação que não corresponde à taxa oficial das casas de remessas autorizadas”, explicou o procurador-geral, durante uma conferência de imprensa em Caracas, capital do país.

Segundo Tarek William Saab, 600 destas operadoras ilegais estão localizadas na Colômbia e as restantes no Chile, Peru, Argentina, México, Espanha, Panamá, Equador, Costa Rica, República Dominicana, Bolívia, Brasil e nos Estados Unidos da América.

“Num ano são mais de mil milhões de dólares [877 milhões de euros]. Esta prática ilegal produz um grave dano, porque alimenta a especulação cambial, deprecia o valor da moeda [venezuelana, o bolívar soberano] nos mercados informais, afeta os preços dos bens de consumo e priva o país de captar essas remessas através do mercado oficial”, precisou.

Nos próximos dias vão ser enviadas cartas rogatórias às autoridades daqueles países com pedidos de cooperação nas investigações.

As 70 pessoas contra as quais foram emitidos mandados de captura vão ser acusadas de “captação indevida, legitimação de capitais e associação para cometer delitos”.

Na Venezuela vigora, desde 2013, um sistema de controlo cambial que impede a livre obtenção local de moeda estrangeira no país e obriga os empresários a recorrerem às autoridades para terem as autorizações necessárias para aceder a divisas para as importações.

No país, no mercado negro, o dólar e o euro têm um valor até três vezes superior ao oficial.