
Não vou abordar o que é democracia, nem tão pouco defini-la.
Para isso nada melhor do que disse Abraham Lincoln – famoso estadista americano, que admiro, e considero político quase perfeito.
Digo quase, porque nada há perfeito. Perfeito só o Pai, como disse Jesus.
Lincoln, certa vez, definiu a democracia como sendo o “Governo do povo, pelo povo e para o povo”.
Mas será, na prática, a democracia, isso?
Penso que muitos, como eu, que me estão lendo, duvidam.
Jean Jaques Rousseau, asseverou: a verdadeira democracia é tão perfeita que é quase impraticável: “ Se existisse um povo de deuses, governar-se-ia democraticamente. Um governo tão perfeito não convém aos homens.”
Vem esta lenga lenga a propósito da conversa, que escutei.
Estava a saborear o meu cafezinho, quando se sentaram defronte de mim, dois jovens, que falavam a meia-voz, mas cuja conversa era audível.
Dizia o mais jovem – julgo que seria estudante de Direito, por trazer o Código Civil:
– No nosso País não há democracia. Na democracia plena, o povo escolhe os representantes de harmonia com os ideais e conduta.
– Ora o que acontece não é isso. Vejamos: Conheço cidadão honesto, cumpridor dos seus deveres, que possui princípios semelhantes aos meu.
– Para ser eleito tem que se inscrever, como militante de um partido. Se o fizer, pode ser escolhido ou não, para deputado.
– Na hipótese de o ser, posso escolhe-lo, como meu candidato.
– Voto nele, porque sei que vai defender princípios morais que perfilho.
– Uma vez eleito – como é honesto, – irá cumprir o que prometeu….; mas acontece que quem manda, no partido, por interesse pessoal ou de grupo, pretende que certa lei seja aprovada; lei que o meu candidato, discorda.
– Como o líder obriga a disciplina de vota, o deputado, só tem duas alternativas: votar a favor, no que não concorda ou abandonar o partido, e – quem sabe?, – a carreira política.
– Assim assistimos a crentes a votar em leis contrárias à Lei de Deus e homens incorruptos aprovarem leis que não concordam.
– A isso chamamos de democracia. Devíamos apelidar de ditadura de clãs; de minorias, que subjugam os verdadeiros representantes do povo “.
A conversa continuou, mas o que ouvi, foi bastante para reflectir sobre democracia, e como ela, muitas vezes, está ao serviço: do mais forte para esmagar o mais fraco
Os referendos, são prova cabal disso: Se o povo vota “Não”, mas querem o “Sim”, repete-se, tantas vezes, quantas necessárias, até obterem o resultado desejado.
A República Portuguesa foi alicerçada num regicídio e numa revolução. Perguntou-se, ao povo, o regime que queria?
No Brasil, só cem anos depois, quando se soube que o regime não perigava, é que se fez o referendo prometido, quando o Imperador foi expatriado!…
Por essas e outras, é que a democracia está desacreditada.
E desacreditada está a civilização cristã, que de cristã só tem o nome… Já nem o nome, porque há muito que rejeitou Cristo e Sua doutrina.
Por medo ou vergonha? Vergonha de quê?! e medo de quem?!
