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Vale tudo

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O que se passa na Autoeuropa não é só uma questão negocial entre trabalhadores e patronato, dentro de uma empresa privada que representa 1% do PIB e 4 % das exportações nacionais. A Autoeuropa, pelas suas circunstâncias, foi escolhida para o confronto das componentes de uma “geringonça”, que na empresa não precisa de esconder o que finge fora.

Na Assembleia da República, a “geringonça” é um puro projeto de ganância pelo poder, uma maioria ficcionada de estável e duradoura, composta por parceiros que se detestam e discordam no essencial, unidos apenas para manter no Governo quem perdeu e na Oposição quem ganhou, numa triste lição de democracia.

Na Autoeuropa é diferente. O PCP, fantástico a destruir empresas produtivas em Portugal desde 1974, reafirma a crença de que é sobre os escombros que se irá construir a sociedade socialista. O BE combate o PCP. E no PS dão-se cotoveladas a marcar espaço, com o pensamento em lideranças futuras. Ana Catarina Mendes mostrou-se “chocada” com o que está a acontecer na empresa, enquanto Pedro Nuno Santos lhe dava o recado de que “algumas das apreciações que são feitas são perigosas e são desrespeitosas para quem trabalha, porque num processo negocial as duas partes estão a defender a sua posição”.

Não menos relevante, Pedro Nuno Santos, que é secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares, falou durante uma passeata encenada pela Festa do Avante – a tal que se faz sem IVA e sem impostos pagos pelos lucros (como é à Esquerda não tem mal) – onde Jerónimo de Sousa, acompanhado de uma delegação do Partido Comunista norte-coreano e de duas delegações venezuelanas, acusou o imperialismo norte-americano” de ser “responsável por uma criminosa escalada de confrontação” e garantia que “o fim da URSS foi um imenso recuo para a paz e o progresso”.

As questões de princípio não são o cimento da “geringonça”. E por isso vale tudo. Quando o PCP atacou países democráticos, aliados de Portugal e prestou homenagem às ditaduras mais abjetas, ao projeto nuclear alucinado de Pyongyang, à repressão de Maduro, à URSS que significou milhões de mortos na purga estalinista, os Gulag, deportações em massa, milhares de inocentes baleados quando procuravam a liberdade a salto, fugindo para o Ocidente, inocentes assassinados durante os levantamentos de 1956 na Hungria, em 1968 na Primavera de Praga, na Estónia, Letónia, Lituânia, Polónia e tantos outros países sob o jugo comunista, o PS foi à festa, condescendeu e calou.

Que soco no estômago dos fundadores, na história do partido e nos democratas que felizmente, também à Esquerda, ainda guardam memória.

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