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Vai de carrinho

A vida é longa, dirão alguns.

A vida boa… Perdão: A vida voa, dirão outros.

José Afonso diz que O País Vai de de Carrinho. Outras coisas.

Lembro-me da minha muito e tão querida tanto quanto pode ser, saudosa mãe, dizer que a mãe dela – obviamente a minha avó, se queixava quando os filhos eram cachopos que se despachassem com os trabalhinhos porque ela, minha querida avó, já tinha um carro.

Ora um carro, e segundo a minha mãe, eram medidas que cada carro de bois transportava de qualquer produto que por via do tempo não lembro. Logo um carro era o transporte de um carro de bois. Quarenta anos.

A minha avó queixava-se disso e a minha mãe dizia-me muitas vezes que se lembrava de isso como se fosse ontem. E brincava que ela mesma já tinha passado um e mais tarde dois carros; bem entendido, claro.

O tempo, a vida boa… Perdão: A vida voa.

A minha mãe fez também ela dois carros, felizmente.

Hoje, eu, seu filho mais novo, aquele último que sendo pobre pariu – porque se fosse rica tinha um menino, já conto um pouco mais de um carro.

Tenho pena de, talvez por mor do tempo, não lembrar mais pormenores acerca destas medidas de carros de bois – até porque a família nunca teve ligações à lavoira. Lembrasse-me eu desses pormaiores, e aprofundaria esta coisa de que o tempo não anda. Voa.

E vai de carinho… de carrinho.

(Não pratico deliberadamente o chamado Acordo Ortográfico)