
Estava neste fim-de-semana a almoçar num restaurante bairradino, com familiares, quando toca o telemóvel.
Apressei-me a procurá-lo. Pedi licença para levantar-me e verifico que a chamada era realizada por número desconhecido.
Será algum cliente? – Pensei de mim para mim.
Não era.
Era uma empresa de comunicação a oferecer-me seus serviços:
– “ Fala da X. Boa tarde. Qual é a sua empresa fornecedora de Internet e TV?”
Respondi-lhe – estava aborrecido por ter-me ausentado da mesa, interrompendo a conversa que mantinha, – que: “ Não interessa…”
– “ É que venho oferecer-lhe melhores vantagens.” – Insistia a menina.
– “Desculpe – respondi, – mas não estou interessado. Sinto-me satisfeito com a minha empresa, e não pretendo mudar.”
– “ Mas a nossa é melhor! … Quanto paga pelo serviço prestado?”
Cortei a conversa e vim para a mesa, comentando o atrevimento dessa empresa, que durante semanas não parava de incomodar-me, por vezes, com dois telefonemas diários.
Outrora era o telefone fixo que não parava de tocar: eles eram: pedidos de contributos para criancinhas abandonadas; prendes oferecidas em troca de respostas a inquérito; sondagens de empresas…
Agora é o telemóvel que não me deixa descansar.
Resolvi não atender números desconhecidos… mas os negócios? Alguém pode necessitar de comunicar comigo.
Mandei, há muito, cortar o nome da lista telefónica. Resultou. Mas agora é pior, porque apanha-nos: na rua, no carro, no transporte publico, em toda a parte… até no quarto de banho!
É praga pior ou igual à do Egipto, que não nos deixa.
Como descobrem o número?
Sei que muitos compram endereços eletrónicos e números telefónicos; outros, utilizam o número que vamos dando, quando nos solicitam; e ainda outros, possuem listas “confidenciais”, como disse certa menina, quando lhe perguntei como descobrira o meu telemóvel.
Não haverá meio de nos livrarmos dessa praga arreliadora?
