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Um patrão à maneira resolve

Cada vez que alguém deseja o mundo pula e avança. Esta foi a noite em que comi robalo por causa do Sr. Xavier e não comi um gaufre com gelado de morango por causa do Sr. Xavier.

Foi assim: saímos para jantar às 9h. No óptimo restaurante que escolhemos, de peixe, aceitaram-nos para jantar mas pediram-nos para voltar daí a uma hora. Estava realmente cheio e a palavra de confirmação, simpática, veio do dono, que conheço, depois da desculpa titubeante do empregado que quase nos negou o serviço. Agradecemos e prometemos voltar na hora combinada. E voltamos.

Já sentados pedimos o peixe apetecido apenas para ouvirmos que já só havia um resto, limitado e fraco, de escolha, e nada daquilo que nos apetecia. Mau, mau. Então se era assim íamos para outro lugar mas aceitaram a nossa reserva e agora não há o serviço pretendido…? Vai o Sr. Xavier, que atura mal estas coisas e – Ora chame lá o patrão- e, sim, um patrão à maneira resolve, repito, resolve, e assim foi, resolveu, lesto e simpático.

Os clientes ficaram satisfeitos e hão-de repetir no futuro, até porque já sabiam que ali nunca nada tinha falhado no passado. Depois foi outra coisa, muiito diferente.

Numa loucura de noite quente de Verão, muito quente e muito rara, cheirou- me a gaufre e deixei de pensar. Entrei numa gelataria onde, eu já tinha mais do que obrigação de saber, por anos de experiências várias, o serviço não gosta de mim. O serviço não gosta, muito especificamente, de mim.

Recordo as inúmeras manhãs, de sol e de chuva, Outonos, Primaveras e até Verões, anos seguidos, em que por ali passei e estranhei a loja fechada com tanto desejo à porta. Era incompreensível que uma loja com aquele bom aspecto e os produtos apregoados teimasse em negas, fechada em manhãs tardias de sol e azul impossível em frente ao mar. Que desperdício de tempo, vistas e desejos defraudados. Ainda assim entrei e foi tudo mau. Tudo mau.

Como uma cliente bem comportada postei-me no pré-pagamento e comecei o meu pedido mas o senhor do polo amarelo mandou-me rispidamente sentar na esplanada que para o que eu queria não era preciso pré-pagamento. O tom foi o suficiente para eu me sentir como um miúdo no 1° dia de escola, infeliz.

Ir para a esplanada esperar atendimento numa noite de Verão é como ir para o corredor da morte: com sorte e persistência escapamos. Mas Mr. Xavier tinha avisado, não perdoa e teve sempre razão. Esperámos para ser atendidos o tempo de vários temas de conversa. Reclamámos ao balcão. Fomos logo prontamente aviados do pedido. Continuámos em conversa animada e estóica por muitos mais temas apenas para vermos que outros condenados da esplanada eram servidos mesmo tendo chegado depois de nós.

Serenamente fui espiolhar ao balcão para tentar perceber se o meu gaufre iria conhecer-me nesta noite. Pois… eu, uma cobarde, me confesso. Dirigi-me à esplanada e disse às tropas para dispersarem. Mas Mr. Xavier thinks differently. Balcão e reclamação, gesticulação e argumentação, e as tropas a assistirem de longe.

Em diferido: um patrão que diz ao cliente que não tem razão… um patrão que diz eu estou em minha casa e faço como bem entendo… livro de reclamações… nada de gaufre… nunca mais. Soube depois pelo soldado raso que noutra ocasião, quando olhava para os sabores antes de encomendar, um empregado lhe tinha sugerido que primeiro fizesse o pré-pagamento e só depois fosse saber quais os sabores disponíveis. Pois. Feche sff.