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Trabalhadoras portuguesas debatem desigualdades de género na Alemanha

A Associação de Pós-Graduados Portugueses na Alemanha (Asppa) vai realizar, no sábado, o primeiro encontro anual de portuguesas profissionais no país para identificar preconceitos, no contexto laboral, e apontar possíveis soluções.

A ideia, revela Sofia Figueiredo, cientista e presidente da Asppa, surgiu precisamente no contexto de trabalho, quando sentiu que existem “preconceitos que convém identificar e combater” e a necessidade de “criar soluções para que não aconteçam”, visto que apenas uma percentagem residual de mulheres chega a cargos de liderança e ao topo da carreira.

“Na Alemanha, a maior parte das mulheres, mesmo depois de estarem formadas, com doutoramentos ou pós-doutoramentos, e de terem uma carreira estabelecida, quando têm filhos acabam por ficar em casa numa situação de dependência financeira que não lhes permite singrar no mundo profissional outra vez”, apontou Sofia Figueiredo, em declarações à agência Lusa.

“Queremos conhecer as mulheres da comunidade portuguesa, saber o que fazer em termos profissionais, se se enquadram neste estereótipo alemão, e que tipo de desafio enfrentam no dia-a-dia laboral”, acrescentou.

A iniciativa, aberta a todos, homens e mulheres, e gratuita, destina-se a “conhecer o tecido profissional português na Alemanha no feminino, para poder identificar os desafios, trabalhar as perspetivas que permitam construir pontes entre Portugal e a Alemanha, mas numa rede feminina de contactos”, sublinhou a presidente da Asppa.

“Isso pode permitir-nos, a nós, portuguesas profissionais na Alemanha, que singremos nos nossos desafios profissionais e maximizemos a transferência de conhecimento entre os dois países”, destacou.

O projeto tem três públicos-alvo, portuguesas graduadas e profissionais a trabalhar ou a estudar na Alemanha, portuguesas a viver na Alemanha, mas sem uma situação profissional ativa, ou portuguesas que pretendam viver ou trabalhar na Alemanha no futuro.

“[Na Alemanha] é comum o ‘glass-ceiling’, em que a mulher chega a um certo ponto da sua carreira e não consegue desenvolver mais porque, ou já passou de uma certa idade, ou porque tem muitos filhos e as direções acham que vai ter de ficar a tomar conta deles. Existem várias limitações, queremos desenvolver estratégias para as poder ultrapassar”, sublinhou Sofia Figueiredo, considerando que se está “no bom caminho”.

“O movimento feminista fez grandes conquistas na luta pela igualdade, não só de género, mas também de orientação sexual ou religião, entre outros. Recordemos que até ao início do século passado, as mulheres não podiam votar na Alemanha”, lembrou.

A iniciativa vai decorrer no sábado, durante a tarde, através da ferramenta virtual Zoom. Entre os convidados está a secretária de Estado das Comunidades Portuguesas, Berta Nunes, que ficará a cargo da intervenção de encerramento.

As palestras serão conduzidas por Helena Ferro Gouveia, diretora de comunicação e consultora de liderança, e Liliana Ferreira, diretora do Fraunhofer AICOS (Centro de Pesquisa em Soluções de Informação e Comunicação Assistida).

Do programa farão também parte apresentações e discussões interativas entre as participantes. Só nos primeiros dias de divulgação, a iniciativa contava com cerca de 25 inscrições, um terço delas realizadas por homens.