
Manhãs de ouro e de cetim,
o sol desenha o teu corpo
ao atravessar sem pudor
e enamorado o teu vestido de verão,
e eu com uma xícara de café
feliz nas mãos.
Olores de orvalho, relva fresca e flores vermelhas
entram pela porta de sacada entreaberta
e mesclam-se aos perfumes de cacau, croissants,
pão quente e fruta fresca em cima da mesa.
E depois, há a fragrância dos teus cabelos,
razão pela qual me apaixono por ti
em cada novo dia.
Um tango antigo na onda média do rádio velho
e o riso das crianças a correr pela casa
alegres e despreocupadas,
como devem ser todas as crianças.
E ao olhares para mim,
no teu gesto desprendido
de atares o cabelo
– a única dúvida é carrapicho
ou rabo de cavalo? – ,
o teu sorriso e os teus olhos
brilham como sóis a nascer,
e nesse momento eu sei
a verdadeira essência
da palavra
Amor.
JLC06012018
