Títulos norte-americanos dominam plataformas de ‘streaming’
Um novo estudo da European Audiovisual Observatory, assinado pelo analista Christian Grece e apoiado pelo programa Creative Europe da Comissão Europeia, revela um desfasamento marcante entre a diversidade de títulos europeus disponíveis e a sua presença efetiva nos catálogos de vídeo por pedido (VOD) ou ‘streaming’ na Europa.
Segundo o relatório “Film and TV content in TVOD, SVOD and FOD catalogues – 2025 edition”, os trabalhos europeus representam 46% do total de títulos individuais em exploração nos 46 países do Conselho da Europa analisados, mas correspondem apenas a 32% das “presenças” — ou seja, do número total de vezes que uma obra aparece nas diferentes catálogos.
Em sentido contrário, os títulos norte‑americanos representam 33% dos títulos individuais mas concentram 48% de todas as presenças, porque cada título dos EUA é tipicamente exibido em muito mais plataformas por obra do que os títulos europeus. Nos catálogos da UE27, obras americanas representam 48% das mais de 2,5 milhões de presenças, apesar de corresponderem a 33% dos títulos. As obras produzidas na UE27 perfazem 35% dos títulos individuais e apenas 22% das presenças nas catálogas.
A circulação transnacional entre países europeus é significativa: 69% das obras da UE27 encontradas nas catálogas são “não‑nacionais”, produzidas noutro país da UE27, o que sublinha a importância do circuito intracomunitário. O relatório evidencia também o predomínio do cinema nas plataformas VOD — os filmes representam 85% das presenças, contra 15% das temporadas de televisão, e nota que a quota da UE27 é mais elevada nos filmes (24%) do que nas séries (15%).
Quanto aos modelos de negócio, as plataformas de subscrição (SVOD) exibem maior diversidade geográfica, com 29% das presenças originárias de regiões fora da Europa e dos EUA, e as obras da UE27 representam 23% das presenças nessas plataformas. Os serviços transacionais (TVOD) apresentam a maior quota de obras dos EUA, com 55% das presenças, e a menor quota da UE27, com 21%. Já os serviços de radiodifusores (FOD), frequentemente geridos por emissoras nacionais, registam as maiores quotas de conteúdo europeu: 25% das presenças são de obras da UE27 e 35% quando se incluem outras obras europeias.
A presença de obras europeias nos catálogos é mais pronunciada em França (36%), Alemanha (30%), Itália (28%) e Espanha (26%), reflexo das dimensões das suas indústrias de produção e do peso do conteúdo nacional nesses mercados. Países com menor indústria audiovisual dependem mais de obras europeias não‑nacionais. O relatório sublinha que a ampla diversidade de títulos europeus não se traduz automaticamente em visibilidade equilibrada entre plataformas, evidenciando desafios de circulação, negociação de direitos e programação que favorecem conteúdos de maior exportabilidade, com origem nos EUA.
O termo “Europeu” no estudo refere‑se aos 46 Estados‑Membros do Conselho da Europa considerados no levantamento.