Suíça: Português condenado a oito anos pelo sequestro de jovem de Viana do Castelo
Um homem de 59 anos, residente em Saxon, foi condenado a oito anos de prisão por violação e sequestro de uma jovem portuguesa. O caso foi julgado no Tribunal de Martigny (na foto), na Suíça, mas a vítima, agora com 27 anos, prestou declarações por videoconferência a partir do Palácio da Justiça de Viana do Castelo, onde agora vive.
A jovem recusou voltar à Suíça, país que abandonou em julho de 2022, pouco depois de conseguir fugir do apartamento onde, segundo o tribunal, esteve retida durante um ano.
A diferença de idades — trinta anos — marcou o relato da vítima, que contou ter sido forçada a assumir o papel de “mulher” do agressor. Em tribunal, a portuguesa descreveu repetidos episódios de violência sexual e psicológica, afirmando que era obrigada a manter relações, diariamente, sob ameaça.
O homem, conhecido da família, teria prometido trabalho e estabilidade na Suíça, chegando a pagar-lhe a viagem. Mas, segundo a acusação, uma vez instalada na Suíça, tudo mudou: não podia sair sozinha, era trancada em casa e o português terá apreendido os seus documentos para impedir qualquer fuga.
A investigação revelou que o agressor contactou a família da jovem através das redes sociais, apresentando-se como alguém disposto a ajudá-la, por saber que vivia em situação de vulnerabilidade. No entanto, a defesa negou a existência de sequestro, alegando que a vítima poderia ter fugido pela janela do rés-do-chão — algo que fez por várias vezes, regressando depois ao apartamento. A sua advogada, Audrey Wilson-Moret, rejeitou esta tese, explicando que a jovem estava sob “prisão emocional”, sem documentos, sem recursos e sem domínio da língua, perdida num país que não conhecia.
A acusação sublinhou a coerência do testemunho da vítima e as contradições do arguido, que alternou entre afirmar que havia amor entre ambos e negar qualquer relação sexual. Para o Ministério Público, não restaram dúvidas quanto à violência sofrida.
O condenado permanece em liberdade enquanto decorre o prazo para recurso. Se a sentença for confirmada, será expulso da Suíça durante dez anos após cumprir a pena. A vítima deverá receber 15 mil francos suíços por danos morais. Segundo a sua advogada, “o tribunal reconheceu claramente o estatuto de vítima — isto nunca foi uma relação, mas uma situação de abuso e domínio”.