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Sobre a pandemia

Como agente económico, sempre procurei acreditar no trabalho de equipa e que, eventualmente, cada comunidade sendo representada por uma empresa, ou mesmo por uma força política, poderá levar a sua motivação adiante.

Os tempos de pandemia que correm, levam à desvalorização completa daquilo que é humano, daquilo que diferencia qualquer humano dos restantes, no que às soft skills possa dizer respeito. A capacidade de comunicação, o facto de existir um escritório, onde pudéssemos ir a uma copa, a motivação de em conjunto trabalharmos com objectivos entre diferentes equipas deixou de existir.

E poderá trazer naturalmente um impacto ainda maior para as gerações futuras, no que respeita à comunicação entre humanos, por seres sociais que somos.

Reuniões de liderança, motivação de jogo entre equipas, pelo desafio, acabam por se ter que ajustar a toda uma nova realidade, onde a tecnologia cada vez mais impera.

E nada que não fosse previsível, contudo e tendo em consideração que pertenço a uma geração que premiava a globalização, a redução drástica do tráfego de pessoas entre nações, e a não colaboração entre os estados-membros que pertencem à União Europeia em nada premeia o ser humano.

A pandemia, sendo um tema com o seu peso, essencialmente por nos fazer repensar aquilo que realmente poderá ter valor, para cada um de nós, como indivíduos, reajustar e reimaginar o futuro, traz consigo para o cidadão do mundo, uma sensação de falta de liberdade e mobilidade a nível mundial.

Com 13 anos de experiência profissional, na área financeira, tendo desempenhado funções de elevada responsabilidade, numa indústria em claro declínio senti que a envolvência num mercado cada vez mais tecnológico seria algo que me faria sentir um player importante nas tendências de negócio futuras assim como na agilização e promoção das novas tendências em termos de gestão de big data e moderadora de comunicação entre a linguagem tecnicamente financeira e a linguagem tecnicamente informática.

Vivi cerca de dois anos num dos maiores centros de serviços financeiros do mundo, onde a velocidade a que a informação é digerida, e a utilização das novas tecnologias, já era uma prática corrente, independentemente da pandemia em curso, com elevado sentido empreendedor, e onde claramente cada um de nós será um agente económico para o país, gerador de riqueza, senão não poderá co-habitar no mesmo.

Um mercado onde o mundo das fintechs / insurtechs / property techs em muito se encontra em voga, com um sistema bancário muito próprio, o merge acontece entre grandes players bancários, players de ecommerce, por não haver espaço para que todos num mercado livre consigam sobreviver.

Estado, monopolizador, quer da informação, quer de todos os meios de comunicação, compete diretamente com outras economias emergentes como sendo a Arábia Saudita, no que a investimento e extravagância diz respeito, premiando relações históricas de realeza com aquele que em tempos foi um estado membro da União Europeia.

Será de facto questionável se, o modelo de gestão de um país onde, em termos de população se revela idêntico contudo, no produto gerado per capita, tem uma produtividade de riqueza que representa o dobro de Portugal.
Sim, números, que nos fazem questionar o sistema político vigente, onde as taxas de desemprego são nulas, contudo onde o empregador não tem qualquer suporte, e onde o mercado de trabalho opera de forma mais ágil.

Economia claramente sustentada pela multiculturalidade, contudo os referenciais europeus, com um suporte acrescentado, claramente favorecem a uma maior tranquilidade e sentimento de segurança, quando existem por perto.
Aqui, e não querendo assumir um discurso amplamente femininista, o papel da mulher, no que à contribuição e geração de valor para uma empresa é claramente questionável, visto culturalmente uma comunicação clara e objetiva por vezes gerar situações menos confortáveis, onde a diversidade cultural e de género se sente de forma bastante vincada.

Aqui, e também aqui, o facto de o amor, gosto e compromisso de uma mulher ter que se direcionar única e simplesmente para a vertente familiar, existindo o julgamento pela falta de humanidade, é claramente sentido, dado que numa cultura, onde o casamento é definido e decidido entre famílias em idade jovem, e o compromisso, esse também definido pelo anel, onde o divórcio não é aceite, e a potencial igualdade de géneros, tende a não se verificar, revela que perfis de liderança, de comunicação clara, maduros, são postos em causa novamente com afastamento cultural e de género.

Hoje em dia, e por forma a podermos criar toda a empatia no que a relações sociais diz respeito, procuramos analisar o detalhe de cada cultura, para que possamos fazer primeiro, parte da equipa e posteriormente parte da sociedade.
Contudo, a este desafio, acresce a dificuldade de fazer a gestão de recursos de culturas distintas, onde a reza tem que ser respeitada, onde o pequeno almoço mais alargado tem que ser respeitado, e o nível de compreensão e flexibilidade também.

Uma economia onde plataformas agregadoras, para angariação de fundos de investimento conseguem alavancar significativamente séries B’s de investimento e onde a marca própria assume cada vez maior relevo, como factor diferenciador de negócio.

Em tempos de pandemia, a opinião geral foi que o consumo apresentou uma quebra na ordem dos 30% nos produtos supérfluos, sendo que a quebra no turismo teve um impacto significativo principalmente nas zonas onde supostamente deveria existir uma maior movimentação de pessoas.

E tudo isto, francamente muda uma cidade agitada.
O controlo e centralização que agora e exigido pelo nosso estado, já o foi anteriormente no Dubai, onde regras bastante rígidas foram colocadas quer a barreira do país, em termos de imigração, quer no que a liberdade do cidadão comum diz respeito, por ruas da grande capital.

Uma das principais avenidas da cidade completamente vazia, sem qualquer movimento.

Regresso ao meu país, certa que toda a experiência e conhecimento bebidos nos dois anos, me levam a ver o nosso país de forma distinta e a acreditar que, poderei ser um fator de mudança no mesmo.

Raquel Rebelo

 

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