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Se eu soubesse o que sei hoje…

– Se eu soubesse o que sei hoje…

– O que farias?

– Tenho um amigo brasileiro que diz: “A vida dá sempre um jeito”. O que eu acho é que às vezes também temos que ser nós a dar um jeito à vida. Caso contrário, ela limita-se a acontecer. Nós é que temos que decidir as curvas a tomar nessa linha recta e que contornos dar a cada uma dessas curvas. Porque nessa rebeldia vadia para escapar ao destino há outros horizontes para ver. Outras viagens. Claro que depois também há as curvas inesperadas, as curvas e as contra-curvas, as estradas esburacadas, os trilhos cortados, as ruas manhosas, as vielas escuras, os becos sem saída, os desfiladeiros, os precipícios, os dias de tempestade. Se eu soubesse o que sei hoje aproveitava mais cada instante, faria acontecer, deixava de ser tão inseguro e ponderado. Por vezes, um desvio desvairado ensina-nos mais do que o caminho seguro da sensatez. Quer tenha sido desejado ou não. E prefiro mil vezes que a minha vida seja feita de inúmeros desvios do que de uma linha recta, um longo rio tranquilo, correcto e insípido, como me aconselha sempre a gente certa. “Não sei por onde vou, sei que não vou por aí!” (“Cântico Negro”, José Régio)

JLC29122009 (Gnomon)