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SE da Mobilidade satisfeito com primeiro teste de veículo autónomo em Portugal

O secretário de Estado Adjunto e da Mobilidade considerou esta sexta-feira, em Carcavelos, concelho de Cascais, que a regulamentação dos veículos autónomos “é um caminho” que precisa de ser percorrido, mas com futuro em parceria com os municípios.

“É um caminho que temos de fazer. É o caminho da tecnologia, há o caminho da adesão das pessoas, há o caminho da decisão política que, por vezes, é o caminho difícil, e há também o caminho da regulação e da legislação, e estamos a fazê-lo”, afirmou José Mendes.

O governante, que falava após uma viagem de teste de um veículo autónomo do MobiCascais, entre a rotunda da Quinta de São Gonçalo e a universidade Nova SBE (School of Business and Economics), salientou que foi criado um grupo de trabalho para enquadrar o funcionamento dos veículos não-tripulados.

Numa primeira fase, o grupo de trabalho vai avaliar a criação de “zonas livres de teste” onde possam circular os veículos autónomos, através das necessárias alterações legislativas, que também devem posteriormente ser adotadas para que este tipo de viaturas “chegue às vias comuns em espaços abertos”, notou José Mendes.

O secretário de Estado admitiu que o exemplo da Câmara de Cascais será assim para apoiar, nomeadamente no âmbito das verbas comunitárias para projetos de descarbonização dos transportes, a desenvolver em colaboração com os municípios.

Após uma viagem de cerca de 700 metros, num espaço dedicado paralelo à via que liga a Marginal a Carcavelos, José Mendes frisou que o veículo elétrico autónomo da MobiCascais geriu “com alguma tranquilidade” ou “sem movimentos bruscos” situações como a presença de uma pessoa à beira da estrada.

Para o governante, apesar do “caminho a fazer”, este tipo de viatura “é mais eficaz” e “no futuro será seguramente mais seguro do que um veículo conduzido por uma pessoa”.

“Não tenho presente exatamente as estatísticas, mas a esmagadora maioria dos acidentes em veículos é causada por erro humano. Nós sabemos que, de facto, por vezes, não conseguimos gerir todas as situações”, vincou.

Segundo José Mendes, “os algoritmos e a capacidade de computação” atualmente disponíveis nestes veículos “são capazes de processar as incidências de uma viagem a uma velocidade que não é comparável” com a das pessoas, permitindo antecipar situações.

Além de ser mais seguro, o governante apontou também a vantagem de se tratar de “um veículo descarbonizado”, com motorização elétrica, sem emissões poluentes.

“Portanto, quem avança para este tipo de soluções nas cidades com certeza que está a olhar bem à frente para o futuro”, sublinhou.

O presidente da Câmara de Cascais, Carlos Carreiras (PSD), adiantou que o EZ.10, o modelo de veículo elétrico autónomo adquirido pelo município, numa primeira fase de testes vai funcionar apenas entre a Nova SBE e a rotunda da Quinta de São Gonçalo, sendo posteriormente prolongado até à estação ferroviária de Carcavelos.

O autarca recordou que, no passado, “não havia nenhum elevador que não tivesse ascensorista”, ao contrário do que acontece atualmente, para assegurar não ter dúvidas de que “em muito curto espaço de tempo vão ser ampliadas soluções desta natureza”.

Na revisão do Plano Diretor Municipal de 2015 foram previstos “espaços canais que possam sustentar este tipo de mobilidade”, notou Carlos Carreiras.

O município investiu 250 mil euros na aquisição do veículo, desenvolvido pela empresa Tula, acrescidos de mais 250 mil euros para a manutenção durante cinco anos.

A empresa municipal Cascais Próxima estima em cerca de 200 mil euros o investimento na adaptação das infraestruturas para a criação do canal dedicado para o veículo, com uma lotação de 15 pessoas.

Enquanto espera pela regulamentação que permita a circulação no espaço público, o que poderá ocorrer a partir de 2020, a autarquia estuda outros percursos que possam vir a ser criados, nomeadamente a ligação da estação ferroviária de São João do Estoril ao centro de saúde local.