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Rui Nabeiro: de A a Delta

Este senhor singular fala sempre no plural. Sempre que se refere a si, pronuncia “nós”. É muita humildade. Muita humanidade.

Rui Nabeiro, de sua graça Manuel Rui Azinhais Nabeiro, é um homem singular, um senhor para quem o singular não existe. Fala sempre no plural: em “nós”.

O senhor Rui Nabeiro é uma criatura que faz parte da minha muito longínqua memória. Desde rapaz que ainda mal sabia ler. Ao tempo comercializava-se umas garrafinhas de plástico transparente com vinagre que a minha mãe usava, como, obviamente, era consumo generalizado.
Pegava eu na garrafita já em uso e pressionava ao ponto de submergir o nome completo do maior campomaiorense – Manuel Rui Azinhais Nabeiro –  que era a designação social. Coisas minhas, de miúdo e que se sintetiza com reticências imediatamente aqui… assim, ali.

À medida que os seus – nem me apetece designar negócios, mas não sei definir melhor  – iam somando monta, eram muitos os procedimentos que me chamavam à atenção sobre este senhor maior, que chegou a ser presidente designado duas vezes, mas controverso, antes do 25 de Abril, da Câmara Municipal de Campo Maior, a terra que mantém e faz questão de manter sediados os serviços centrais do Grupo Nabeiro, disperso por todo o Portugal e em muitas partes do mundo.

Pese o acto de ser nomeado duas vezes presidente da Autarquia, não representa que fosse afecto ao regime. Bem pelo contrário. Já em democracia, foi eleito pelo PS, presidindo à Câmara desde 1976 a 1985 e a qualquer momento enfatiza: “Nasci numa terra pobre, por isso sou socialista.”

Rui Nabeiro e a sua obra têm sido agraciados dispares e diversas vezes em diferentes áreas sociais. Agora ganhou, reiteradamente, o prémio de empresa com melhor espírito de equipa (sic).

Para mim é apenas mais uma oportunidade para falar desta celeste criatura, de oitenta e oito anos, que recusa reformar-se: “quero sentir palpitar o coração”.

O senhor Rui Nabeiro, foi, entre outras, entronizado Comendador em 1995 e 2006. Mas eu queria omitir isso.

(Não pratico deliberadamente o chamado Acordo Ortográfico)