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Rotatividade dos deputados eleitos na Emigração é nula

Há 4 anos, já o reprovava publicamente e hoje, infelizmente, nada evoluiu:

– A rotatividade dos deputados eleitos nos círculos da Emigração é nula.
– Parte deles não são oriundos da Emigração.

Observa-se cada vez mais rotatividade dos deputados no seio do Parlamento (50% de novos deputados na última legislatura), o que é saudável para a Democracia, mas nos círculos da Emigração, continua tudo inerte há décadas. DÉCADAS.

Porque isto não é um problema recente, nem de há quatro anos.

Caso for eleito em outubro, Carlos Gonçalves vai ultrapassar os 20 anos de mandato, o sexto mandato consecutivo no círculo da Europa.

Notável também a longevidade de José Cesário no Parlamento pelo círculo Fora da Europa, no qual pode acumular o seu quinto mandato consecutivo (sem ser emigrante).

Em 24 anos, o Partido Socialista elegeu apenas três diferentes deputados no círculo da Europa: Maria Carrilho, Carlos Luís e Paulo Pisco. No entanto, desde 1995, houve várias oportunidades para eleger pessoas diferentes pois o PS obteve lugares elegíveis por 8 vezes nesse círculo. Então porquê tão pouca rotatividade? Porque são sistematicamente os mesmos que são colocados como cabeças de lista… Paulo Pisco já vai no seu quinto mandato (também ele sem ser emigrante). E caso o PS eleger apenas um deputado para a próxima legislatura (como acontece tradicionalmente na Europa), teremos que falar em 28 anos com os mesmos deputados.

Que Democracia é esta? Eles até são todos muito simpáticos mas é difícil incentivar as Comunidades Portuguesas a votar nestas condições…

A política não deveria ser encarada como uma carreira profissional da qual se depende para garantir estabilidade pessoal.

A política deveria encarar-se com o sentido de serviço público. Deveria ser uma vocação e os eleitos deveriam ter consciência que os seus atos servem de exemplo, para bem ou para mal.

E o que está a acontecer não é digno de uma Democracia europeia de 45 anos de existência.

Enfim… Por agora, não há mais nada por fazer. Resta-nos esperar que os dois partidos com maior representação parlamentar decidam mudar esta situação daqui 2023 para não continuarmos sempre no mesmo enquanto só elegermos quatro deputados nos círculos da Emigração.

Porque o aumento dos deputados nesses dois círculos é o próximo combate de todos aqueles que, dentro e fora do país, pretendem uma representação mais justa das Comunidades no Parlamento e consequentemente, um Parlamento verdadeiramente representativo de todo o povo português.

 

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