De que está à procura ?

Mundo

Relatório alemão assinala erosão democrática global

© Lusa

O Bertelsmann Stiftung’s Transformation Index (BTI) 2026, publicado a 26 de março de 2026, confirma uma trajectória preocupante: a qualidade da democracia, do Estado de direito e da governação consensual continua a degradar‑se em muitos países, com autocracias a superar em número as democracias entre os 137 países analisados.

O relatório sublinha que eleições decorrem cada vez mais em condições desiguais, que a liberdade dos media e o direito à participação política enfrentam pressões crescentes e que o poder executivo tende a expandir‑se em detrimento dos controlos institucionais.

O BTI 2026 reforça também que, embora alguns regimes centralizados aleguem maior capacidade de coordenação, o desempenho governativo e a implementação de políticas em muitas autocracias ficam comprometidos por corrupção, fraca responsabilização e limitada capacidade administrativa; por outro lado, movimentos cívicos e elementos de sociedade civil continuam a resistir ao retrocesso democrático, criando pontos de pressão para renovação e reformas.

No caso de Portugal, a avaliação internacional apresenta sinais aparentemente contraditórios: enquanto índices como o Democracy Index da Economist Intelligence Unit classificaram Portugal como “full democracy” na edição de 2024 (melhoria registada em 2024), e a Freedom House mantém Portugal no grupo dos países “free”, a Varieties of Democracy (V‑Dem) coloca Portugal no seu Watchlist de 2026 — uma lista de países que, segundo a V‑Dem, estão “muito próximos” de entrar em processos de autocratização e que merecem atenção especial por exibirem sinais de deterioração democrática. A inclusão de Portugal no Watchlist da V‑Dem aparece no Democracy Report 2026 publicado em março de 2026.

A V‑Dem especifica que Portugal figura entre oito países no Watchlist de 2026, identificando‑o como um caso que se aproxima do limiar de autocratização (com outras entradas recentes como Bulgária e Vanuatu), facto que não significa uma conversão imediata para um regime autoritário, mas sim um sinal de alerta sobre tendências e riscos detectáveis nas séries temporais dos seus indicadores democráticos.

No plano interno, 2025–2026 tem sido um período de visibilidade política e de desafios institucionais em Portugal (nomeadamente com ciclos eleitorais e debate público intenso), contexto que analistas citam quando interpretam flutuações nos índices de qualidade democrática e de governação. A calendarização política recente inclui, entre outros marcos, a realização da primeira volta da eleição presidencial em janeiro de 2026.

TÓPICOS

Siga-nos e receba as notícias do BOM DIA