
Para ver se lá dentro tem um nódulo baço
E para ver se ele acorda do silêncio que late
Duma vogal tónica vazia que transparece
Na radiografia que o leitor lhe tirou
E que agora está decifrando o verbo que arrefece.
E soletra: Queira eu, queira quer não
Este poeta fala de ilusão, não tem instrução
Sílabas métricas nem válvulas de suporte
Ele só regurgita para o psicanalista
Dão-lhes versos de fantasista.
E anda a cantarolar e a poetar
Saudades minhas dos versos da raiva
Que às vezes temos como uma muralha.
Mas a mim o poeta não engana
Nem que ele escreva, vá pró diabo
Que o parta meu sacana.
Por que eu não preciso de dicionário
Para saber o que é onomatopeia
Ou anáfora, animismo ou antítese
Da centopeia e das escolas que
O Platão, o Sócrates e outros encerraram.
Ai! O sabidão, só vai pra Scola
Quem não saber ler, eu não tenho Scola
Por que já nasci a ler, aprendi nas tavernas
Dos copos de três, de um quarto, e uma castanha
É quanto chega pra beber uma litrada.
Hoje eu poderia falar no Barlavento
Em são bento, no púlpito ou no palco
Palavras aprendidas nas tascas da aldeia.
Só para exemplificar prestem atenção
A esta comparação, compara dura
Gradação, hipérbole camelo e agulha.
Da metáfora metomínia do paralelismo
Personificado do verbo encher o pleonasmo
E descrever a redondilha maior
Do verso primeiro aos nove anos
Na Escola Agostinho Valgode
Em S. Mamede do Baroso que pariu
Vila Nova onde eu vivi na infância
Sem meninice, mas com bola de trapos.
Radiografemos o poeta e o poema
Estripemos as sílabas e queimemos o texto
Com intuitos estéticos e outras linguagens
Patéticas que ninguém entende
Só ás vezes, e poucas, aquele que as escreve.
Mas vamos lá calar esse poetar de sonhos
Que saiam do teclado do computador,
Esse sim, é que é inteligente,
Nunca se esquece do que lhe foi gravado
No disco rígido. Mas eu quero lá saber
Das rimas que não rimam se são brancas
Ou pretas, ou até emparelhadas
Cruzadas, esfarrapadas as palavras
Encadeadas, bem amanhadas, ou não,
Neste meu poema RADIOGRAFADO!
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