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Querido Zé Povinho

Ainda te lembras Zé quando nasceste ?
Foi de noite, de manhã ou à tarde ?
Eu digo que o teu desenho nasceu
em 1875 pelo lápis de Bordalo Pinheiro.

Hoje Zé já estás muito velhinho
bebes mais chá do que vinho.

A questão dos impostos continua actual
como foi ontem, será o amanhã em Portugal.
Podes gemer citadino, pobre ou provinciano,
insolente, beato, culto ou analfabeto,
o imposto é para César, e não há engano,
pagamos os impostos que nós merecemos,
não os que queremos, mas os exigidos.

Para sobreviver ao jogo das aparências,
o Zé povinho passou a viver no reino
das aparências, as suas características
foram ao longo dos anos agravadas
pelos governos que tu Zé elegeste.

Tu és o Cartão de Identidade Português.

Uma vez o Zé se faz passar por ignorante,
outra vez continua a gritar no Senado,
torna-se tudo para com todos,
passa um mau bocado, mas disfarçado,
quando não tem dinheiro faz um crédito,
joga freneticamente na lotaria,
no totoloto, raspadinha e tem a mania
das grandezas e espera ficar rico.

O Zé Povinho acredita em tudo
que os políticos lhe juram e impingem,
o Zé vota sempre nos períodos eleitorais,
é aliciado com muitas obras, subsídios,
emprego para todos e para tolos.

Ele sente-se obrigado em acreditar
que a passividade crónica irá mudar,
e que os Senadores vão para São Bento
trabalhar de graça por uma nobre causa.

Entretanto, o Zé Povinho bebe uns copos,
culturalmente ele está telemobilizado,
telesintonizado, é rei dos espectadores
do telelixo e das telepeixeiras.

E à tardinha encostado á ombreira da porta,
ele discute com o vizinho os últimos fogos
postos, e contabiliza os hectares queimados,
mas repete que amanhã arderá noutro lado,
o fogo de hoje já está circunscrito.

O Zé Povinho é espectador da sua própria tragédia.

Na próxima vez vou entrevistar o Zé Povinho,
que além de velho, ainda é muito bonito.
Ele há tanto Zé Povinho por esse mundo fora,
agora vou embora, está na hora, está na hora….

O Zé Povinho paga todas as Crises, as Nacionais e Internacionais.

O Zé Povinho diz que não é Português, mas sim Europeu.

O Zé Povinho sabe que existem duas coisas na vida que nunca falham:

São os Impostos e a Morte!

Esta publicação é da responsabilidade exclusiva do seu autor.