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Quantas vezes te direi adeus?

Meu amor, dir-te-ei mil vezes adeus
e mil vezes não será o que te quero dizer

E entre um adeus e outro adeus
sofres tu, sofro eu
e os nossos pobres peitos
já tão alvejados

Acreditaste que podias
reanimar o meu coração pisado
e acreditaste tanto
que eu tambem acreditei
e vai daí ele estremeceu,
o primeiro surpreendido fui eu
e em vez de exalar,
inspirou sopro e reviveu

Mas ele já passou por tantas
vidas numa só vida
des-ar-ti-cu-lou-se, desconcertou-se,
a mecânica quebrou, enferrujou, parou,
e o último tiro à data
foi à queima-roupa
carbonizou-o, calcinou-o,
ficou preto, inerte, no chão
tanto que ele próprio
quis desaparecer, liquefazer-se
ali mesmo no alcatrão
daquela estrada medonha
sem saída à vista

Mas depois, apareceste tu…

Se o meu coração fosse novo,
era teu
se eu não tivesse dado vida
nesta vida e tivesse outra vida,
era teu
se o eixo da Terra se desengonçasse
e a distância fosse nada,
era teu
se eu conseguisse voltar a acreditar
que conseguia voltar a acreditar,
era teu.

“E, pur, si muove.”
E é. Teu.

JLC040718