
Os noticiários abriram ontem com António Costa a utilizar descaradamente o cargo de primeiro-ministro, para promover as candidaturas autárquicas do PS, com recurso a publicidade enganosa. Como acontece com a boa banha da cobra, talvez renda uns tantos votos. O custo de oportunidade estará, como sempre, nas questões de princípio.
Na mensagem distorcida da verdade, foi debitado que, com o PS, teremos o menor défice da nossa vida democrática, todos os portugueses pagam menos impostos, foi possível melhorar o rendimento das famílias portuguesas em 10 0/00 e fazer mais despesa na saúde e com a educação. Só faltou o resto.
Faltou dizer que foi com os mesmíssimos governantes socialistas – na maior parte repetem-se – que, não vai muito tempo, Portugal alcançou o maior défice da nossa vergonha (11,2% do PIB em 2010). Foi por causa desses governantes que Portugal penou a partir de 2011, suportando cortes nos salários e nas pensões. No que agora dizem que devolvem, os socialistas não fazem mais do que a sua obrigação. Em vez de elogio justificado no que foi culpa própria deveriam, isso sim, pedir desculpa pelos anos de sacrifícios que impuseram.
Não têm faltado, mesmo assim, aumentos indecentes de impostos indiretos. Combustíveis, imposto sobre veículos, IUC, imposto de selo, pagamentos com cartões de débito e crédito, IMI agravado pela beleza das vistas, “fat tax”, imposto Mortágua, rendas. Este Governo é a troika, sem troika. Dá com uma mão, o que tira com duas, mas não releva nas contas.
Acresce o que o Estado compra, mas não paga – até hoje o calote nunca tinha sido sinónimo de boa gestão – e a despesa que orçamenta, mas não gasta, que é como quem diz, cativa.
A UTAO explica que nos últimos 8 anos, 2016 foi aquele em que houve maiores montantes cativados (1.746,2 milhões), em grande parte na saúde e na educação. Significa que António Costa se permite poupar à conta de cativações, que transforma em cortes definitivos, nas áreas que afetam quem mais precisa. Mas a Esquerda, sempre com tanta conversa à volta do SNS e da Escola pública, cala.
Marisa Matias, que em campanha para as presidenciais fazia demagogia em tempos de crise, dizendo que o Governo anterior praticou “uma política de cortes” que “matou muita gente”, consta que perdeu a voz. Para o BE, quando a geringonça é quem mais ordena, convém mesmo é organizar acampamentos para jovens que dançam, enquanto estudam O Capital, animados pelas virtudes da luta pela legalização do consumo de substancias psicotrópicas, que se consumidas em abundante quantidade, ajudam a engolir sapos e a encarar as finanças públicas com outros olhos.
